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sexta-feira, 17 de maio de 2013

À beira de um ataque de nervos



O acúmulo de compromissos e a sobrecarga de responsabilidades exigem energia e equilíbrio emocional, e atenção constante para o cuidado da saúde, para que o indivíduo não sucumba a doenças, como o estresse. A menos que pertença a uma ordem monástica e viva em clausura, uma pessoa será submetida a fatores estressantes, resultantes de pressões internas e externas. Mesmo indivíduos aparentemente calmos e equilibrados sofrem o efeito de situações que requerem respostas e reações que mexem com todo sistema corpóreo.  transformando-se numa espiral de infelicidade e frustraç
As causas do estresse são mudanças inesperadas de rotina e estilo de vida (casamento, emprego, cidade); luto, separação, desemprego; cansaço devido a sobrecarga de trabalho e falta de descanso em finais de semana (levar tarefas para casa), somado a falta de férias (não se ausentar do trabalho por algum motivo); problemas de sono, que acabam se tornando causa e consequência de estresse; solidão, isolamento; problemas financeiros; ambiente de trabalho insalubre (tensão, prazos curtos, alterações no planejamento).
Estresse não tem idade. Nas crianças, pode se desenvolver por problemas familiares (brigas constantes, ambiente tenso), separação dos pais ou luto (perda de pessoa significativa ou mesmo de um animal de estimação) ou conflitos na escola (bullying). Excesso de cobrança por desempenho, agendas cheias com cursos de idiomas, computação, prática de esportes, e pouco tempo para brincar interferem no crescimento saudável, fazendo com que a criança se defronte com questões acima de sua capacidade de resolução e experimente angústia. Crianças e adolescentes podem sofrer de doenças como ansiedade e depressão, que até há pouco tempo se manifestavam apenas em adultos.
Os sinais de estresse vão de queda de cabelo à baixa da imunidade; dores de cabeça constantes e dores no corpo pela contração da musculatura; problemas dermatológicos, como herpes; problemas digestivos, como azia e refluxo; esgotamento; lapsos de memória (esquecer compromissos, pagamento de contas) e dificuldade de concentração; insônia; medo, nervosismo e impaciência até em relação a pequenos aborrecimentos. Com a piora do estado, a pessoa fica à beira de um ataque de nervos e se torna uma bomba prestes a explodir. Tentando relaxar, o indivíduo pode adotar hábitos que só pioram a situação, como consumo excessivo de café e abuso de tabaco, álcool e drogas. E um dos efeitos do estresse é o ganho de peso, por alterações hormonais e descuido da alimentação.
O estresse é uma reação psicológica, física, mental e hormonal em resposta a um evento e se torna prejudicial quando o organismo é exposto a ele continuamente, levando o indivíduo a ultrapassar seu limite de recuperação e a esgotar sua capacidade de adaptação, impedindo-o de relaxar após a tensão. A imagem que pode ilustrar este processo é a de uma pessoa franzina obrigada a carregar algo que pesa toneladas, sem ajuda ou descanso, por longo tempo. Isto é o estresse: algo do qual não se pode escapar, uma batalha pela sobrevivência, muitas vezes, mas que, se não tratado, leva a problemas físicos e psicológicos.  
Muitas vezes, o estresse origina-se de uma sucessão de sonhos que não se realizam, projetos que fracassam, sujeição a uma vida sem cor, sem graça, sem alegrias, que se transforma numa espiral de infelicidade e frustração. Uma das grandes fontes de sofrimento das pessoas é a forma como elas encaram a vida, que inclui a importância que dão a acontecimentos que não merecem atenção, e ao apego a situações, pessoas e emoções tóxicas; a dificuldade de expressar sentimentos, desejos e necessidades, o que prejudica os relacionamentos; buscar fora de si mesmo as respostas e saídas para dúvidas e medos, uma rede de apoio é fundamental, mas não substitui o autoconhecimento. Relaxar, refletir, mudar o que for preciso, cuidar da autoestima e ser agradecido são alguns passos para se ter uma vida mais plena.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A magreza insuficiente



Ao contrário do que se pensa, a anorexia nervosa é um transtorno muito antigo, que pode ser observado já no século VIII, com a história de Santa Vilgefortis, que desejava entrar para um convento, mas foi prometida pelo pai em casamento a um nobre devasso, o que a levou a um jejum rigoroso, para se tornar feia ao pretendente. E os casos da chamada anorexia santa se repetiram: Santa Clara de Assis, Santa Rosa de Lima, Santa Verônica Giuliani, Santa Catarina de Siena. Mas nenhuma delas jejuava ou praticava restrição alimentar severa em busca de um corpo magro, o que pretendiam era a purificação do espírito e a comunhão com Deus.
Da Idade Média aos dias atuais, a lista vem aumentando: modelos, como Ana Carolina Reston, escritoras, como Katherine Anne Porter, atrizes, como Jane Fonda, Sally Field e Keira Knightley, cantoras, como Juliette Greco e Karen Carpenter, e membros da realeza, como lady Diana Spencer e Victoria Désirée Bernadotte (filha do rei Gustavo da Suécia), famosas ou anônimas, a dor das anoréxicas é a mesma.  Os motivos para a privação alimentar mudaram, acompanhando as transformações culturais e sociais, mas se percebe em comum o controle do corpo, o domínio da vontade. Santas ou profanas, todas parecem fugir de algo que lhes causa profundo sofrimento, e, para alcançar esta libertação, optam pelo martírio de um corpo que as trai e que querem tornar imperceptível.
A anorexia nervosa desenvolve-se principalmente em adolescentes e mulheres jovens, mas há casos entre os homens. Os critérios para o diagnóstico do transtorno são: medo intenso de ganhar peso, mantendo-o abaixo do mínimo considerado saudável para a idade e a altura; dietas severas, com restrição principalmente de alimentos de alto valor calórico, como massas e doces; pular as refeições, com a desculpa de estar sem fome; cortar a comida em pedaços pequenos, mexer a comida no prato em vez de comer; recusar-se a comer na frente de outras pessoas, em festas e reuniões; fazer uso de laxantes, diuréticos ou fórmulas para emagrecer; praticar exercícios físicos em excesso, pesar-se e tirar medidas com freqüência, vomitar, fazer uso de enemas; a menstruação torna-se irregular até a interrupção completa (amenorreia); sensação exagerada de frio; mudanças de humor, como irritabilidade, tristeza etc.; insônia e cansaço constante.
O diagnóstico é difícil porque a pessoa nega o problema enquanto pode, e muitas vezes o transtorno é percebido pelo dentista, por exemplo, porque, devido aos repetidos episódios de vômito, o esmalte do dente é corroído pelos ácidos estomacais. Muitas mulheres apresentam feridas nos dedos e no dorso da mão, provocadas pelo atrito com os dentes no ato de induzir o vômito. A anorexia interfere no crescimento e desenvolvimento normais, é causa de muitos problemas orgânicos (cardíacos, renais), que vão se tornando mais graves à medida que o transtorno piora, e pode levar à morte.
Um comportamento de risco associado é o abuso de álcool, com a bebida funcionando como substituto da comida, na tentativa de se perder a fome. É a anorexia alcoólica, ou drunkorexia, condição ainda não reconhecida, mas uma realidade preocupante. Sendo um transtorno que tem início na adolescência, os pais devem ficar atentos a mudanças de comportamento dos filhos, ao demonstrar preocupação excessiva com o peso, a forma do corpo, vendo gordurinha e culotes que não existem. É importante também que os pais não sejam críticos nem reproduzam, com atitudes ou comentários, os modelos estéticos veiculados pela mídia.
O tratamento da anorexia nervosa é feito por equipe multiprofissional, envolvendo psicologia, psiquiatria e nutrição. Indica-se que a família seja encaminhada para terapia, para que os membros compreendam melhor o transtorno e possam auxiliar na recuperação de uma pessoa querida que some a olhos vistos e para quem a magreza nunca é suficiente.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Terapia e emagrecimento



As pessoas têm dificuldade de fazer mudanças necessárias, seja emagrecer, abandonar hábitos nocivos, como fumar, ou voltar a estudar/trocar de emprego/terminar um relacionamento, não porque careçam de vontade ou coragem, mas porque precisam adquirir as ferramentas para dar o primeiro passo. Mudar não é fácil, exige reestruturação dos pensamentos e revisão das atitudes, ou seja, transformação do que a pessoa construiu como seu ser ao longo da vida. Os indivíduos são reconhecidos pelo conjunto de suas qualidades e definidos por virtudes apreciadas no grupo ao qual pertencem, como, por exemplo, honestidade, dedicação, gentileza. Todos somos resultado de predisposição genética e influências ambientais, vários fatores que vão moldando características de personalidade e caráter.
As pessoas nascem com tendências que serão estimuladas ao longo do processo de amadurecimento, mas, dependendo da interação com os cuidadores, o que seria uma característica positiva torna-se fonte de problemas. Se, na infância, a criança convive com mãe depressiva, pai autoritário, num ambiente tenso com brigas constantes, pais absorvidos nos respectivos trabalhos e responsabilidades financeiras, e pouco disponíveis para as necessidades dos filhos, pode desenvolver um senso de inadequação e desamparo. Obrigada a enfrentar oscilações de humor dos adultos, a criança aprende a não reclamar, a cuidar de si mesma e se comportar de forma que não piore os conflitos familiares.
Ao lidar com situações além da sua capacidade emocional, a criança torna-se um adulto marcado por estas experiências. Agirá com as pessoas de forma totalmente contrária ao que vivenciou no passado ou continuará a pisar em ovos, sem saber colocar limites às demandas dos outros? Permanecerá se considerando responsável pelo bem-estar de todos à sua volta e repetirá o comportamento-padrão de estar sempre disponível, não recusar favores ou pedidos de ajuda, mesmo que estejam fora de sua possibilidade? Assim sendo, é como se este modo de proceder fizesse parte da pessoa, e a definisse, daí a percepção equivocada de que a mudança é difícil, senão impossível. Para ela, é natural se envolver em relacionamentos onde seu papel se limita a cuidar das necessidades das pessoas.
O que se ouve no consultório? Relatos sobre tristeza e frustração de repetidas tentativas e fracassos de perder peso, acompanhados de uma visão confusa de si mesmo e dos motivos disto. Para vencer a briga com a balança, além de mudanças na alimentação e prática de exercícios físicos, é preciso identificar os gatilhos que levam à compulsão, modificar os pensamentos e entender as emoções que a causam. É fundamental perceber que, para calar a solidão e o sofrimento, acaba-se abrindo a boca apenas para a comida. E que a mudança se inicia ao aprender a dizer não à comida e, principalmente, às pessoas e situações do dia a dia.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Compulsões: sexo

Denominada ninfomania, no caso das mulheres, e satiríase ou donjuanismo, no dos homens, a compulsão por sexo é um transtorno manifestado por sintomas compulsivos, obsessivos e impulsivos, sendo mais diagnosticado em homens. Mas é preciso levar em conta fatores morais, culturais e sociais, que dificultam desde a busca por tratamento até o levantamento da ocorrência do transtorno na população, em relação ao número de homens e mulheres. Deve-se diferenciar também compulsão sexual de hiperssexualidade. A primeira caracteriza-se por procura frenética por sexo, com comportamentos impróprios, exagerados e até de risco, enquanto que a hiperssexualidade diz respeito a um ritmo sexual maior que a média, uma necessidade de aliviar tensão própria do corpo, como, por exemplo, se masturbar todo dia.
O sexo compulsivo não tem definição precisa, por ser determinado mais pela falta de controle do que pela quantidade de relações. Os critérios diagnósticos são os seguintes, devendo ser observados por um período de 6 meses: prática compulsiva e múltiplos parceiros; masturbação tão repetida que chega, inclusive, a provocar lesões; busca de práticas sexuais cada vez mais intensas e frequentes, para obter satisfação; o comportamento dá-se também em resposta a estresse e tédio; abuso de pornografia virtual, de participação em salas de bate-papo erótico, de sexo por telefone e de formas anônimas de sexo; pensamentos e fantasias constantes sobre sexo e gasto considerável de tempo para obtê-lo, em detrimento de outras atividades; continuar o comportamento mesmo depois de consequências adversas, como contrair doença sexualmente transmissível (DST); perder a noção do que é aceitável e ultrapassar fronteiras morais para alcançar o que deseja, como mentir e trair o cônjuge, e fazer sexo em lugares públicos; experimentar tensão, ansiedade ou depressão ao tentar evitar o impulso.
Como em todas as compulsões, observam-se prejuízos financeiros, profissionais, acadêmicos, sociais e pessoais, o indivíduo perde o controle de seus impulsos e se torna dependente de sexo, vivendo em função da necessidade de satisfação, que não ocorre e o faz continuar procurando por ela, como uma fome que não se sacia. Muitos estudiosos tratam a compulsão por sexo como vício, por apresentar semelhanças à adicção por drogas ou jogo, como a fissura e as fases de preparação, gratificação e culpa, no caso, às vezes acrescentada de desespero, por ter se colocado em situação de risco (sexo com estranhos, sem proteção).
O tratamento indicado é a terapia cognitivo-comportamental individual e/ou em grupo, que trabalha o controle de impulsos e o desenvolvimento de habilidades para lidar com a ansiedade e o desconforto, entre outras estratégias de enfrentamento; além de farmacoterapia e grupos de autoajuda, os Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (DASA).



quarta-feira, 17 de abril de 2013

Compulsões: colecionismo


Colecionar é um hobby com aspecto lúdico que começa por acaso, ou incentivado por alguém. Crianças colecionam álbuns de figurinhas, bonecos, jogos; adultos colecionam selos ou moedas, e vários tipos de objetos, como canetas, todos pelo prazer de encontrar e possuir algo novo. As pessoas viajam e trazem lembranças dos lugares que visitaram, o que pode se tornar um hábito, como uma forma de manter presente as lembranças da viagem, e até ilustrá-la. Há quem ganhe de presente um bichinho ou caixa decorativa, e, pronto, à revelia dela mesma, começa uma coleção de objetos semelhantes. Outras pessoas deixam-se levar pela paixão por livros, filmes ou CDs e vão vendo as estantes se abarrotando de novos exemplares.
Como uma diversão pode se tornar transtorno é uma questão difícil de esclarecer. Indivíduos que não colecionam coisas específicas, ou que tenham algum significado ou utilidade, sem critério ou organização, sofrem de acumulação compulsiva (compulsive hoarding) ou patológica e são conhecidos como acumuladores de lixo. Pessoas idosas, que vivem em isolamento social, são negligentes com a higiene pessoal e do local onde moram, manifestam comportamento paranoico e colecionismo, diz-se que têm a síndrome de Diógenes, descrita pela primeira vez em 1975. A denominação é quase irônica, pois Diógenes, filósofo grego representante do cinismo, morava em um barril e seus únicos bens eram uma túnica, um cajado e uma tigela, sendo, portanto, um modelo de desapego.
Os acumuladores compulsivos guardam papéis, como comprovantes bancários, notas fiscais, recibos, recortes de jornais e revistas (ou os exemplares completos), bilhetes, lembretes; roupas usadas e imprestáveis; caixas, latas, potes de vidro; rolos de barbante, papéis de presente, envelopes; eletrodomésticos quebrados; e tudo mais que se possa imaginar, com o pensamento obsessivo de que precisarão destas coisas no futuro. Não se contentam com o que têm e recolhem objetos na rua, não se importam em atulhar o espaço em que vivem, não se incomodam com a proliferação de insetos e roedores atraídos pela sujeira e até restos de comida. Além das péssimas condições de vida e da desorganização, o descontrole fica claro quando as tentativas de se livrar do hábito fracassam e a situação provoca angústia e sofrimento.
Outro aspecto deste transtorno diz respeito à acumulação de animais, (animal hoarding), quando o indivíduo recolhe animais de estimação, geralmente cães e gatos, sem ter condições de abrigá-los e alimentá-los de forma adequada. Também conhecida como síndrome de Noé, mesmo que a pessoa afirme preocupação com os animais, trata-se, na verdade, de uma necessidade compulsiva de ter e controlar os bichos, além de incapacidade de reconhecer o sofrimento deles.
O colecionismo é definido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV) pela incapacidade de se desfazer de objetos usados ou inúteis, mesmo que não tenham valor sentimental. É critério diagnóstico para o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e para o transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva. Uma característica encontrada em pessoas com TOC por colecionismo é o consumismo, quando o sujeito compra compulsivamente objetos que acredita serem indispensáveis. Em alguns casos, a pessoa pode adquirir todas as cores de uma roupa, no mesmo tamanho e modelo.
O tratamento indicado é terapia e farmacoterapia. O apoio familiar é fundamental na recuperação do indivíduo.

Amanhã: Compulsões: sexo.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Compulsões: tabaco, álcool e drogas



Droga é definida como uma substância que altera e interfere nas funções do organismo, estando os remédios incluídos nesta definição. Assunto delicado por sua extensão e pelo sofrimento que causa não só ao dependente, mas a todos que o rodeiam, além dos prejuízos para a sociedade, o uso abusivo de tabaco, álcool e drogas é, além de tudo, um problema de saúde pública. As notícias sobre acidentes com mortes e outras consequências graves, como mutilações e tantos danos irreversíveis, repetem-se com frequência assustadora, que nem medidas coercitivas conseguem diminuir. Isto sem mencionar as brigas e os comportamentos de risco (sexo inseguro, por exemplo) muitas vezes causados não só pelo abuso de uma, mas de várias substâncias.
Álcool e tabaco são drogas legais largamente consumidas, contam com certa tolerância da população, mas são extremamente nocivas. O tabagismo é responsável por doenças cardíacas e pulmonares, vários tipos de câncer e acidente vascular cerebral (AVC). Já o alcoolismo prejudica órgãos como fígado, estômago, pulmões, causa disfunções sexuais e deficiência grave de vitamina B3 (niacina), o que compromete as funções mentais. Um uso que pode começar como brincadeira (no caso do cigarro) ou como ocasional e recreativo (no caso do álcool) pode se tornar extremamente nocivo.
As drogas ilícitas podem ser fabricadas a partir de plantas, como a maconha e o ópio (heroína, morfina) ou produzidas em laboratório, as chamadas drogas sintéticas, como ecstasy, LSD, anfetaminas, barbitúricos, metanfetamina. A cocaína, feita a partir das folhas de coca, é considerada semi-sintética, por passar por processos químicos, e seus subprodutos são o crack e a merla. Outras drogas alucinógenas são o lança-perfume e os inalantes. O que todas têm em comum é o fato de causarem rápida dependência química e psicológica.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), os critérios de diagnóstico para dependência de substâncias psicoativas são definidos por um padrão de uso disfucional de uma substância, levando a comprometimento ou desconforto clinicamente significativo, manifestado por 3 ou mais dos seguintes sintomas, num período de 12 meses: tolerância (necessidade de aumentar a substância para atingir o efeito desejado); abstinência; usar a substância em grandes quantidades ou por período maior do que o pretendido; desejo persistente ou esforço sem sucesso de diminuir ou controlar a ingestão da substância; gastar cada vez mais tempo em atividades necessárias para obter a substância, usá-la ou recuperar-se de seus efeitos; reduzir significativamente ou abandonar atividades sociais, de lazer ou ocupacionais por causa do uso da  substância; uso continuado da substância, apesar de sofrer problema físico ou psicológico ou recorrente que tenha sido causado ou piorado pela substância.
O tratamento da dependência química é ministrado de acordo com o do estado do indivíduo.  A internação mostra-se necessária nos casos de comportamento  suicida, autodestrutivo ou que represente ameaça aos outros. Nos outros casos, indica-se terapia individual e/ou em grupo e farmacoterapia, grupos de autoajuda (Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos).

Amanhã: Compulsões: colecionismo.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Compulsões: jogo



A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu o jogo patológico como doença a partir de 1992. Por definição, em linhas gerais, caracteriza-se pela incapacidade da pessoa em controlar o hábito de jogar, apesar dos prejuízos familiares, sociais, profissionais e financeiros que possam resultar. O que começa como diversão pode acabar como um problema sério, de consequências graves para o indivíduo e todos ao seu redor. As ofertas são muitas e vão das legais, como uma enorme variedade de loterias e das chamadas raspadinhas, corridas de cavalo, apostas em resultados esportivos (lutas, futebol etc.), às clandestinas, como bingo, roleta, cartas (pôquer, vinte-e-um), caça-níqueis, além das que se situam numa zona cinzenta, como os cassinos virtuais. Vale lembrar que o jogo é proibido no Brasil, mas nem por isto deixa de existir, e movimentar muito dinheiro.
Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), o diagnóstico é feito pela persistência e recorrência do comportamento de jogar, indicado pela presença de pelo menos cinco dos seguintes sintomas: preocupação com jogo (preocupação com experiências passadas, especulação do resultado ou planejamento de novas apostas, pensamento de como conseguir dinheiro para jogar); necessidade de aumentar as apostas para alcançar a excitação desejada; esforço repetido e sem sucesso de controlar, diminuir ou parar de jogar; inquietude ou irritabilidade quando impedido de jogar; o jogo representa válvula de escape de problemas ou de sentimentos de mal-estar e emoções como desamparo, culpa, ansiedade, depressão; voltar a jogar para recuperar o dinheiro perdido; mentir para familiares, terapeuta ou outros, a fim de esconder a extensão do envolvimento com jogo; cometer atos ilegais como falsificação, fraude, roubo ou desfalque para financiar o jogo; arriscar ou perder relacionamentos significativos (família, amigos), emprego, oportunidades de trabalho, educação ou carreira por causa do jogo; contar com indivíduos ou instituições (de financeiras a agiotas) para obter dinheiro e tentar aliviar a situação financeira desesperadora ocasionada pelo jogo.
O tratamento indicado para o jogo patológico inclui terapia individual e/ou de grupo, farmacoterapia e frequência a grupo de autoajuda, os Jogadores Anônimos (JA). O objetivo é tirar o indivíduo da situação de isolamento em que se encontra, e restabelecer os vínculos afetivos, com orientação familiar. No primeiro momento, recomenda-se dificultar acesso a dinheiro, como contas bancárias, e controle do salário por alguém próximo; preencher o tempo livre com outras atividades que afastem o tédio e ajudem a enfrentar o estresse, como exercícios físicos; também são indicadas práticas de relaxamento, que vão do prolongado ao mais breve, variedades úteis de acordo com a necessidade.

Amanhã: Compulsões: tabaco, álcool e drogas.