Assertividade:
um aprendizado
Ser assertivo é ser firme e expressar opiniões, desejos ou pedidos com convicção. É também recusar pedidos, discordar de opiniões e não se sentir obrigado a satisfazer desejos de outras pessoas, em casos que estes firam suas crenças ou direitos. Mas como ser assertivo e conseguir lidar com as obrigações e demandas de todo dia? Como ser assertivo sem magoar as pessoas, viver brigando por tudo e na defensiva, e não criar mais problemas que soluções?
Assertividade
também se aprende dentro de casa. Crianças desenvolvem maturidade emocional e
vínculos afetivos e sociais a partir da maneira como são criadas, ou seja,
aprende-se a dar e receber carinho, expressar sentimentos e emoções e perceber
a diferença entre relacionamentos saudáveis e relações baseadas em interesse
egoístas, por exemplo. Crenças e comportamentos são observados e repetidos,
como nunca reclamar de maus-tratos ou injustiça e ser sempre o(a) menino(a)
bonzinho (boazinha).
Mães que se
sacrificam pela família, sem preocupação com o próprio bem-estar, ignorando até
suas necessidades básicas. Pais que creem que discordância de opiniões é
sinônimo de confronto e desrespeito e que ordens devem ser obedecidas
cegamente. Adultos com visão rígida e estreita, que não admitem contestação,
têm seu oposto naqueles permissivos, sem regras consistentes ou que são mudadas
de acordo com o humor. E criam tanto bonzinhos quanto desajustados, ambos os
tipos ignorantes de comportamentos assertivos.
Muitas pessoas
acreditam que a família ou os amigos estão sempre em primeiro lugar. Geralmente
cresceram preocupadas em não aborrecer a mamãe nervosa e deprimida, ou o papai
estressado por causa do trabalho. E ainda cuidavam dos irmãos, quando mamãe e
papai brigavam e quebravam coisas, gritando sua raiva e frustração. Não era
este o cenário? Talvez então houvesse um silêncio constante e ressentido, um
arremedo de família feliz. E muitas regras. Além de críticas pelos erros
cometidos e nenhum elogio.
O tempo passa, as
pessoas crescem, fazem amigos, estudam e trabalham, formam a própria família.
Quem serão estes amigos e como se estabelecerão as relações afetivas e de
trabalho? Seu melhor amigo só o procura quando está com problemas, mas nunca
tem tempo para escutar os seus? Seu namorado nunca a elogia e lhe diz que a ama
também, vive faltando aos encontros e dá as desculpas mais esfarrapadas (ou nem
isto)? Seu chefe sempre lhe passa trabalhos ao final do expediente e você vive
chegando atrasada na faculdade, coisa que não acontece com seus colegas?
Pense em como lida
com estas e outras situações. Se você, além de abrir mão de seus direitos, está
sempre disponível para os outros, e não tem tempo de assistir àquele filme de
que todos falam maravilhas, de terminar o livro que cria poeira na
mesa-de-cabeceira, ir à manicure, começar o curso de inglês tão sonhado,
adiando qualquer diversão ou projeto. Se tem se sentido estressado,
desvalorizado e sobrecarregado precisa rever seus conceitos e aprender sobre
assertividade.
Ser assertivo não é
ignorar as necessidades e sentimentos dos outros. É simplesmente não
desconsiderar as próprias necessidades e sentimentos. Não importa como foram as
experiências na infância e na adolescência, o passado não pode ser mudado,
apenas compreendido. Fazer novas escolhas no presente representa a
possibilidade de uma vida mais plena e equilibrada. E, para isto, é preciso ser
assertivo.


