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terça-feira, 24 de julho de 2012

Assertividade: um aprendizado 


Ser assertivo é ser firme e expressar opiniões, desejos ou pedidos com convicção. É também recusar pedidos, discordar de opiniões e não se sentir obrigado a satisfazer desejos de outras pessoas, em casos que estes firam suas crenças ou direitos. Mas como ser assertivo e conseguir lidar com as obrigações e demandas de todo dia? Como ser assertivo sem magoar as pessoas, viver brigando por tudo e na defensiva, e não criar mais problemas que soluções?
Assertividade também se aprende dentro de casa. Crianças desenvolvem maturidade emocional e vínculos afetivos e sociais a partir da maneira como são criadas, ou seja, aprende-se a dar e receber carinho, expressar sentimentos e emoções e perceber a diferença entre relacionamentos saudáveis e relações baseadas em interesse egoístas, por exemplo. Crenças e comportamentos são observados e repetidos, como nunca reclamar de maus-tratos ou injustiça e ser sempre o(a) menino(a) bonzinho (boazinha).
Mães que se sacrificam pela família, sem preocupação com o próprio bem-estar, ignorando até suas necessidades básicas. Pais que creem que discordância de opiniões é sinônimo de confronto e desrespeito e que ordens devem ser obedecidas cegamente. Adultos com visão rígida e estreita, que não admitem contestação, têm seu oposto naqueles permissivos, sem regras consistentes ou que são mudadas de acordo com o humor. E criam tanto bonzinhos quanto desajustados, ambos os tipos ignorantes de comportamentos assertivos.
Muitas pessoas acreditam que a família ou os amigos estão sempre em primeiro lugar. Geralmente cresceram preocupadas em não aborrecer a mamãe nervosa e deprimida, ou o papai estressado por causa do trabalho. E ainda cuidavam dos irmãos, quando mamãe e papai brigavam e quebravam coisas, gritando sua raiva e frustração. Não era este o cenário? Talvez então houvesse um silêncio constante e ressentido, um arremedo de família feliz. E muitas regras. Além de críticas pelos erros cometidos e nenhum elogio.
O tempo passa, as pessoas crescem, fazem amigos, estudam e trabalham, formam a própria família. Quem serão estes amigos e como se estabelecerão as relações afetivas e de trabalho? Seu melhor amigo só o procura quando está com problemas, mas nunca tem tempo para escutar os seus? Seu namorado nunca a elogia e lhe diz que a ama também, vive faltando aos encontros e dá as desculpas mais esfarrapadas (ou nem isto)? Seu chefe sempre lhe passa trabalhos ao final do expediente e você vive chegando atrasada na faculdade, coisa que não acontece com seus colegas?
Pense em como lida com estas e outras situações. Se você, além de abrir mão de seus direitos, está sempre disponível para os outros, e não tem tempo de assistir àquele filme de que todos falam maravilhas, de terminar o livro que cria poeira na mesa-de-cabeceira, ir à manicure, começar o curso de inglês tão sonhado, adiando qualquer diversão ou projeto. Se tem se sentido estressado, desvalorizado e sobrecarregado precisa rever seus conceitos e aprender sobre assertividade.
Ser assertivo não é ignorar as necessidades e sentimentos dos outros. É simplesmente não desconsiderar as próprias necessidades e sentimentos. Não importa como foram as experiências na infância e na adolescência, o passado não pode ser mudado, apenas compreendido. Fazer novas escolhas no presente representa a possibilidade de uma vida mais plena e equilibrada. E, para isto, é preciso ser assertivo.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Moda, imitação e seus limites
                                                                                                                                    

Hoje, a preocupação com a estética e a moda começa cada vez mais cedo. Crianças, principalmente filhos de famosos, estão sendo transformadas em ícones, exemplos a serem seguidos, as meninas sendo colocadas em listas de mulheres mais bem vestidas. E os ídolos adolescentes são copiados, do guarda-roupa ao corte de cabelo. Há várias formas de se entender isto, desde estimular a vaidade desde muito cedo, criando futuros consumidores, a um mais imediato, vender revistas e produtos. Fazer o mesmo tipo de roupas, em escala industrial, com a marca do famoso da vez, é lucro certo. Se os objetivos podem ser discutidos, os resultados são visíveis. E quais serão as consequências de, em vez de encorajar a individualidade, a sociedade, de certa forma, incentiva a imitação acrítica?
O desenvolvimento físico e psicológico da criança depende de vários fatores. Alimentação saudável e cuidados higiênicos; orientação sobre convivência social e respeito aos direitos de todos, com noções de civilidade e valores éticos; estímulo à criatividade e aptidão para solucionar problemas, visando autonomia e capacidade de cuidar de si mesmo; demonstração de amor e carinho, ensinando a importância de trocar afetos positivos e estabelecer relações afetivas são alguns princípios básicos de educação e cuidado.
Exposto assim parece fácil, mas na prática as coisas se complicam. Pais sobrecarregados com obrigações profissionais, estressados, que entregam a responsabilidade de educar os filhos à escola, aos avós ou à babá, à televisão ou à internet; pais permissivos, que acham mais fácil seguir os outros, que acham que tudo é fase e vai passar um dia, magicamente; pais despreparados para o papel de orientadores, ou que não tiveram este modelo em casa; pais descasados, cheios de culpa; pais casados novamente, constituindo ou agregando nova família. Tantas situações, e ninguém nasce com manual de instrução.
Dar limites, dizer não quando necessário, ter uma visão atenta das influências que os filhos sofrem, quem são seus amigos, o que fazem na rua, não é ser careta ou intrometido e faz parte do papel de pai. Os modelos das crianças devem estar dentro de casa e não no estádio ou no cinema. Quando pequenos, suas escolhas de modo geral cabem aos pais. À medida que crescem, adquirem o direito de opinar sobre o que lhes diz respeito. Nem por isto os pais devem se omitir, mesmo se tratando apenas de um corte de cabelo. É preciso conversar, por exemplo, sobre esta idolatria que faz os meninos parecerem todos iguais, com o mesmo penteado do ídolo de futebol. Até porque, em muitos casos, estes atletas não são exemplo de comportamento a ser seguido, ao contrário.
Imitar comportamentos faz parte do processo de aprendizado, mas precisa ser acompanhado do desenvolvimento da capacidade de ter opiniões próprias e descobrir o que vale a pena, o que contribui para dar segurança e aumentar a autoestima do futuro adolescente. Criança que imita apenas, sem ser estimulada a criar e pensar por si própria, cresce enfraquecida psicologicamente, influenciável e com habilidades limitadas de enfrentar o mundo real. Possivelmente, cedo fará escolhas para as quais não está preparada emocionalmente, como consumo de bebida alcoólica ou iniciação da vida sexual.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Tristeza, solidão e carência podem levar à compulsão por comida



Cléo Francisco, do UOL, em São Paulo, 11/07/2012 



Eventualmente, todo mundo se acaba de comer em uma churrascaria, na ceia de Natal, em um almoço de domingo com a família. Comer além do necessário e ficar com aquela sensação de estômago estufado acontece. Porém, se devorar alimentos em maior quantidade do que o normal for frequente e vier associado a sentimentos de culpa, atenção. "Pode ser baixa autoestima e dificuldade de lidar com questões difíceis, como frustrações, críticas e mágoas", afirma a psiquiatra e terapeuta de família Liliane Kijner Kern, do Programa de Atenção a Transtornos Alimentares da Unifesp.
Emoções negativas também podem nos levar a atacar geladeira. "Geralmente, são sensações como tristeza, abandono e carência afetiva", diz o psiquiatra Fabio Salzano, vice-coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HC (Hospital das Clínicas). O médico também culpa as dietas muito rígidas por alguns episódios de ataques furiosos à comida. "É o caso, por exemplo, de quem fica dois meses sem comer doces e, ao ver um bolo na padaria, compra e o come inteiro. Essa pessoa está doente? Não. Isoladamente, isso não é problema médico. Mas não é o ideal em termos comportamentais", declara o psiquiatra Fabio Salzano, vice-coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do HC. 
Mas há outros sentimentos ruins que resultam no desejo incontrolável de mastigar todo alimento que vemos pela frente. "Ansiedade, estresse e depressão podem detonar um daqueles momentos em que comemos demais. Nesses casos, é como se fossem confundidas as emoções com a fome, e se tenta atenuá-las comendo, o que poderá se tornar um círculo vicioso", explica Marco Antonio De Tommaso, psicólogo e psicoterapeuta especializado em transtornos alimentares e emagrecimento.
Mas o contrário também pode acontecer: comer demais por estar muito bem. "As pessoas confundem alimentação com sentimentos e emoções. Podem comer aquele mesmo bolo inteiro porque estão felizes. Alimento não é para se premiar nem martirizar. É algo de que nosso organismo precisa", declara Salzano, que critica dietas muito restritivas. "Nada tem de ser proibido. Não é errado comer doces. Depende da proporção na alimentação", afirma o médico. 
É muito comum buscarmos a sensação de conforto na comida. "Ela pode suprir um lado nosso que está meio capenga", diz a psiquiatra Liliane, que aconselha a observação do comportamento. "Se for algo eventual, tudo bem. Mas, caso sentar-se na frente da TV e desandar a comer se torne um hábito, é bom questionar se a comida não é apenas um meio de afogar as mágoas."

Você já comeu compulsivamente em um dia que estava triste?

Resultado parcial
Quando comer demais é um transtorno
É muito importante dar atenção à frequência e sentimentos que aparecem após os episódios de comilança. Eles podem sinalizar algo mais grave.  O psicólogo Marco Antonio De Tommaso costuma atender modelos em seu consultório. Algumas dessas jovens perceberam nessas situações um problema. "A imprevisibilidade do meio em que vivem estimula a ansiedade. Muitas mudaram de cidade ou estado, estão distantes da família, sofrem pressão para emagrecer. Algumas se submetem a dietas malucas e não aguentam. Muitas podem começar, a partir daí, a ter o transtorno alimentar", declara o psicoterapeuta.
Esses casos já se enquadram no Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP). Os indivíduos com esse problema comem exageradamente ao longo do dia, com sentimento de descontrole, culpa e vergonha por ingerir tanta comida de uma vez. "Se isso acontece pelo menos duas vezes por semana e por um período de seis meses seguidos, já é um transtorno médico", afirma Salzano. No caso do TCAP, a pessoa não faz nada para compensar os exageros --diferentemente da bulimia, em que as vítimas provocam vômitos, usam laxantes e fazem exercícios à exaustão. 
O psiquiatra Fábio Salzano concorda que uma dieta restritiva pode ser o gatilho para o problema. "Mas se vier acompanhada de sentimentos negativos como ansiedade, depressão e a pessoa tiver predisposição genética. Além disso, há questões biológicas que podem estar influenciando também. É multifatorial", diz Salzano. A psiquiatra Liliane Kern acrescenta outras características presentes em quem sofre desse mal: "Essas pessoas costumam ter dificuldade de controlar os impulsos, grande insatisfação com relação ao peso, baixa autoestima e viveram o efeito sanfona no decorrer da vida".

VOCÊ COME DEMAIS PARA COMPENSAR PROBLEMAS? VEJA DICAS

O psicólogo Marco Antonio De Tommaso dá sugestões para eitar comer por compulsão:

- Não faça regimes rigorosos. A privação aumenta as chances de um episódio de compulsão;

- Evite comer quando estiver ansioso, triste ou magoado com algo ou alguém;

- Ao desejar comer algo fora de hora, protele a vontade e tente vencê-la (dê uma volta ou beba água);

- Identifique emoções sentidas quando o desejo de comer surge. Está associada a um problema?;

- Coma em local tranquilo e devagar. Ter atenção ao que ingerimos ajuda a perceber a saciedade;

- Anote tudo o que sente e pensa quando está comendo. Isso aumenta o autoconhecimento;

- Se sentir que está perdendo o controle sobre sua vontade de comer, busque ajuda especializada.





 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Emoções

A terapia cognitivo-comportamental tem como objetivos, resumidamente, mudança de pensamento e de comportamento. Ao contrário do que parece, não é simples mudar um ou outro, ou ambos, de preferência. As pessoas chegam ao consultório angustiadas, deprimidas, com problemas que nem acreditam ser possível resolver. Parece não existir saída e é como se vivessem presas a um presente sem possibilidades e a um futuro de desesperança.
O que faz um indivíduo ser pessimista a ponto de descrer totalmente de si mesmo e da própria capacidade de enfrentar as dificuldades inerentes à própria vida? São as circunstâncias que determinam suas reações ou o modo como ele percebe as situações? O que define a intensidade do sofrimento e a habilidade de superá-lo? Darei um exemplo.
A pessoa chega ao trabalho de manhã, e o chefe não responde ao seu cumprimento. Há várias explicações plausíveis. Ela pode pensar: “Será que o chefe não me cumprimentou porque não gosta de mim?”; “Cometi um erro e serei demitido”; “As pessoas não se importam comigo”, às vezes, conclusões apressadas tiradas de um único evento. Mas ela também pode imaginar: “O chefe deve estar preocupado e não ouviu meu bom-dia”; “Será que ele está com problemas familiares?”; Hoje o chefe está de mau humor.”
Os dois tipos de reação ao mesmo acontecimento mostram a influência da forma de pensar no comportamento e nas emoções. No primeiro caso, nosso personagem experimentará tristeza, raiva e ansiedade, porque entenderá o acontecido como pessoal. No segundo, mostrará capacidade de se distanciar do fato. Os modos diferentes de sentir e agir indicam como a pessoa se posiciona no mundo e qual o valor que dá a si mesma, entre outras coisas.
Mas vamos supor que a percepção desta pessoa esteja certa, e que o chefe não responde ao cumprimento porque não simpatiza com ela. O que isto significa? Que nosso personagem não é digno de afeição e respeito, que ninguém gosta dele e, portanto, está destinado a uma vida miserável?  Ou que, dos 7 bilhões de habitantes do planeta, o chefe é apenas um que não o aprecia? A forma como a pessoa encarar a situação no ambiente de trabalho é que vai determinar o desenrolar da história.
Os exemplos são vários. A mulher que considera um atraso sem aviso do marido como falta de amor ou sinal de traição, sem outros indícios para a suspeita. O estudante que se acha burro por uma única nota ruim, sem levar em conta outros sucessos escolares e que pode se recuperar na próxima prova. O profissional que comete um erro aceitável e se julga um fracasso por isto. A adolescente gordinha que evita se entrosar com seus colegas por vergonha do seu peso, desconsiderando suas qualidades.
Medo e insegurança são emoções normais, porém, quando se tornam constantes é sintoma de problema, que precisa ser analisado. A orientação é investir em mudanças internas e externas e em emoções positivas, aprender estratégias de enfrentamento, habilidades sociais, controle do estresse e atitudes assertivas. E acreditar nisto, porque, como diz a música, é “a fé que me faz otimista demais” (Emoções, Roberto Carlos/Erasmo Carlos). Fé principalmente em si mesmo.

terça-feira, 3 de julho de 2012

A mais nova dieta da moda


Você já ouviu falar da dieta que promete emagrecimento rápido, mesmo que o paciente coma muito? O Bom Dia Brasil foi investigar.



A dieta proposta pelo doutor Joel Fuhrman é baseada em vegetais, legumes, frutas e cereais. A ideia é que quanto mais nutrientes, mais vitaminas, mais fibras tiverem os alimentos, mais satisfeitos ficamos.


Ele é o autor do livro que há 49 semanas está entre os mais vendidos na lista do jornal New York Times. O doutor Joel Fuhrman é o criador da nova dieta da moda nos Estados Unidos, que promete fazer uma pessoa perder seis quilos em pouco mais de um mês.
E, de quebra, prevenir várias doenças: “Podemos vencer a guerra contra o câncer. Não é só um problema de perda de peso, mas viver mais e ser saudável ao mesmo tempo”, ele afirma.
A dieta de seis semanas proposta pelo doutor Joel Fuhrman é baseada em vegetais, legumes, frutas e cereais. A idéia é que quanto mais nutrientes, mais vitaminas, mais fibras tiverem os alimentos que comemos, mais satisfeitos ficamos. Sentimos menos fome e com isso o consumo de calorias também diminui.
No primeiro mês de dieta, por exemplo, o consumo de carne e derivados de leite é proibido. E produtos industrializados, diz ele, nem pensar.
Nem as versões light escapam das críticas do médico, por conterem sal e conservantes, que fazem mal para a saúde.
A doutora Anelise Engel, médica especializada em perda de peso, concorda que aumentar o consumo de verduras, grãos e alimentos ricos em fibras, pode melhorar muito a nossa saúde e ajudar a emagrecer.
Mas é preciso ter cuidado ao eliminar completamente a carne e o leite de uma dieta. “A vitamina B12 está presente principalmente na carne. Demora anos para desenvolver e se manifestar o déficit da vitamina B12”, explica.
E faz um alerta para a falta dessa vitamina: “Provoca problemas neurológicos muito sérios como demência, e inflamação dos nervos, então é uma coisa séria”, diz.