O ciclo da violência
Pesquisa
feita
pelo
Centro
de
Estudos
da
Violência
da
Universidade
de
São
Paulo
(USP),
em
2010,
ouviu
4
mil
pessoas
em
11
capitais
e
concluiu
que
a
maioria
dos
entrevistados,
principalmente
os
que
apanharam
na
infância,
considera
que
bater
nos
filhos
é
método
aceitável
de
educação.
As
justificativas
apresentadas
são
que
a
criança
foi
chamada
atenção,
continuou
desobedecendo
e
o
adulto
não
viu
outra
solução
além
do
corretivo
físico.
A
pesquisa
é
ampla,
avaliando
outros
aspectos
da
violência
urbana.
Há
um
equívoco
tanto
na
explicação
quanto
no
comportamento.
Quando
a
relação
entre
pais
e
filhos
carece
de
comunicação
e
se
estabelece
através
de
palmada,
esta
família
tem
um
problema.
Se
desde
cedo
o
adulto
responsável
desiste
de
educar
e
opta
pela
imposição
de
regras
por
castigo
físico,
está,
no
mínimo,
passando
a
mensagem
de
que
conflitos
são
resolvidos
com
violência
não
com
diálogo.
Para
Nancy
Cardia,
coordenadora
da
pesquisa,
“criança
que
apanha
em
casa
fica
mais
vulnerável
à
violência
nas
ruas”,
passando
a
resolver
disputas
com
outras
crianças
com
agressividade.
Enquanto
o
abuso
físico
é
mais
facilmente
comprovado,
o
mesmo
não
acontece
com
o
abuso
emocional.
Não
é
preciso
gritar
com
a
criança,
o
desrespeito
pode
ser
sutil,
manifestado
em
voz
baixa
ou
em
tom
de
brincadeira
(na
verdade,
deboche),
em
comentários
depreciativos
e
críticas
constantes.
Desqualificar
e
criticar
são
sinais
de
desamor
e
desinteresse
e
se
constituem
em
abuso
emocional.
Invalidar
as
emoções
das
crianças
causa
nelas
insegurança,
medo,
desconfiança
e
dúvida
sobre
a
própria
capacidade.
A
indiferença
também
machuca,
a
falta
de
elogio,
abraço,
carinho
e
orientação
prejudicam
o
desenvolvimento
da
autoestima
e
da
independência,
comprometendo
a
capacidade
de
o
indivíduo,
na
idade
adulta,
estabelecer
relações
afetivas
satisfatórias.
Acaba-se
descobrindo,
na
terapia,
que
os
pais
dos
pais
do
cliente
também
são
(ou
eram)
distantes,
frios,
indiferentes
ou
críticos,
em
alguns
casos
propensos
a
aplicar
castigos
físicos.
O
comportamento
adquirido
é
quase
uma
herança
de
família.
Valorizar,
apoiar,
incentivar,
estimular,
acompanhar
cada
passo
do
filho
em
direção
ao
crescimento
e
à
autonomia,
ensinar
a
tolerância
e
o
respeito
à
diferença
são
a
base
da
constituição
de
um
ser
humano
equilibrado
e
saudável,
capaz
de
enfrentar
obstáculos
e
reveses,
sem
apelar
para
a
força
física.