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sábado, 30 de junho de 2012

Entrevista para Sou Mais Eu

Recentemente, fui entrevistada por Helena Dias, da revista Sou Mais Eua quem quero agradecer pela divulgação de meu trabalho. Agradeço também a Solange, tão corajosa em enfrentar suas dores, pelo espaço que abre para mim em seu blog. Clique na imagem abaixo para baixar a entrevista completa.





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terça-feira, 26 de junho de 2012

O mundo não é um lugar injusto

O espaço físico de um consultório de psicologia é o local de acolhimento de histórias de sofrimentos, conflitos e dúvidas. E também onde experiências negativas de vida são trabalhadas com o objetivo de serem superadas, proporcionando ao indivíduo o autoconhecimento e a aprendizado de habilidades que o tornarão capaz de ser dono de si mesmo e mais feliz. Não mágica nisso, mas muita dedicação e persistência de cliente e terapeuta, parceiros num projeto comum.
Frequentemente, o motivo para se buscar terapia pode ser resumido em uma pergunta: Por que isto acontece comigo? Não se trata de questão filosófica, pois tem as bases reais para a procura de tratamento. O que se quer saber, na verdade, é por que determinado alguém não corresponde ao amor, ou por que as desilusões amorosas se repetem; por que os pais criticam em vez de apoiar; por que o chefe não reconhece seu trabalho; por que o filho não aceita orientação; por que a escolha de uma profissão que não satisfaz?
Enfim, por que não se conquista o que deseja ou não se é a pessoa que se pretende ser? Uma sucessão de por quês que pode se estender ao infinito e não levar a uma resposta.
Compreender a si mesmo, as pessoas que o cercam, seus relacionamentos e, de forma ampla, o sentido de se estar neste planeta não é tarefa fácil. Muitos sucumbem ao longo do caminho, quando, em vez de encontrar respostas, se defrontam com mais perguntas, que vão se acumulando à espera de uma explicação convincente. Dificuldade de lidar com situações difíceis, com sensação de descontrole ou de incapacidade, solidão ou incompreensão, isto pode acontecer com qualquer um, em algum momento.
Refletir por que determinadas coisas acontecem, ou mesmo como se chegou àquela situação, é um passo. Indagar por que se permite que aconteçam é aprofundar e procurar soluções mais adaptativas. E, ao contrário do que muita gente acredita, com uma percepção fatalista, algo está errado quando casamento vira sacrifício; cuidar dos filhos, renúncia; trabalho serve apenas para pagar as contas. Ou quando o sorriso fica mecânico, a espontaneidade desaparece, o corpo se enrijesse, o dia nubla e nada parece ter graça. Infelicidade não é inevitável o tempo todo. Não pode ser.
O mundo não é um lugar injusto. O que torna a vida difícil é trapacear com as próprias necessidades e tentar negociar direitos e deveres, aceitando falsos brilhantes ou promessas que se sabe não serão cumpridas. Sabotar a si mesmo, aceitando menos que respeito, dignidade e afeto sincero de quem quer que seja é o caminho para conseguir menos do que se merece.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O ciclo da violência

Pesquisa feita pelo Centro de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), em 2010, ouviu 4 mil pessoas em 11 capitais e concluiu que a maioria dos entrevistados, principalmente os que apanharam na infância, considera que bater nos filhos é método aceitável de educação. As justificativas apresentadas são que a criança foi chamada atenção, continuou desobedecendo e o adulto não viu outra solução além do corretivo físico. A pesquisa é ampla, avaliando outros aspectos da violência urbana.
um equívoco tanto na explicação quanto no comportamento. Quando a relação entre pais e filhos carece de comunicação e se estabelece através de palmada, esta família tem um problema. Se desde cedo o adulto responsável desiste de educar e opta pela imposição de regras por castigo físico, está, no mínimo, passando a mensagem de que conflitos são resolvidos com violência não com diálogo. Para Nancy Cardia, coordenadora da pesquisa,criança que apanha em casa fica mais vulnerável à violência nas ruas, passando a resolver disputas com outras crianças com agressividade.
Enquanto o abuso físico é mais facilmente comprovado, o mesmo não acontece com o abuso emocional. Não é preciso gritar com a criança, o desrespeito pode ser sutil, manifestado em voz baixa ou em tom de brincadeira (na verdade, deboche), em comentários depreciativos e críticas constantes. Desqualificar e criticar são sinais de desamor e desinteresse e se constituem em abuso emocional. Invalidar as emoções das crianças causa nelas insegurança, medo, desconfiança e dúvida sobre a própria capacidade.
A indiferença também machuca, a falta de elogio, abraço, carinho e orientação prejudicam o desenvolvimento da autoestima e da independência, comprometendo a capacidade de o indivíduo, na idade adulta, estabelecer relações afetivas satisfatórias. Acaba-se descobrindo, na terapia, que os pais dos pais do cliente também são (ou eram) distantes, frios, indiferentes ou críticos, em alguns casos propensos a aplicar castigos físicos. O comportamento adquirido é quase uma herança de família.
Valorizar, apoiar, incentivar, estimular, acompanhar cada passo do filho em direção ao crescimento e à autonomia, ensinar a tolerância e o respeito à diferença são a base da constituição de um ser humano equilibrado e saudável, capaz de enfrentar obstáculos e reveses, sem apelar para a força física.