Com
a colaboração de Silvia Deschamps, psicóloga do esporte
Os
transtornos
alimentares,
principalmente
a
anorexia
nervosa
e
a
bulimia
nervosa,
têm
demandado
crescentes
cuidado
e
preocupação
nas
duas
últimas
décadas,
em
decorrência
dos
altos
índices
de
sua
prevalência
e
das
dificuldades
associadas
ao
seu
tratamento.
Alguns
dados
alarmantes
são
confirmados:
15%
dos
pacientes
morrem
e
formas
crônicas
estão
presentes
em
25%
deles
(baixo
peso
crônico
ou
exacerbadas
flutuações
de
peso).
As
consequências
são
complicações
metabólicas
(desnutrição,
problemas
cardíacos
e
renais,
entre
outros),
sequelas
psicológicas
(ansiedade,
depressão
ou
outros
transtornos)
e
isolamento
social.
A
anorexia
nervosa
e
a
bulimia
nervosa
têm
em
comum
a
preocupação
com
peso
e
forma
física,
mas
as
similaridades
acabam
aí.
Na
anorexia,
por
mais
que
a
pessoa
esteja
magra,
ela
se
enxerga
gorda
e
pratica
restrição
alimentar,
jejum,
vômito
e
purgação,
uso
de
laxantes
e
diuréticos
e
prática
excessiva
de
exercícios
físicos,
em
sua
obsessão
pela
magreza.
Já
a
bulimia
se
caracteriza
por
preocupação
persistente
com
comida,
que
provoca
episódios
de
descontrole,
quando
o
indivíduo
consome
grandes
quantidades
de
alimento
em
curto
espaço
de
tempo,
que
ele
tenta
compensar
com
vômitos,
uso
de
laxantes
e
purgantes
e
períodos
de
jejum.
Esta
é
uma
exposição
resumida
dos
transtornos
alimentares,
pois
o
que
se
vê
nos
consultórios
e
centros
de
tratamento
é
um
quadro
muito
mais
complexo,
inclusive
com
migração
de
um
transtorno
para
outro.
Se
estas
síndromes
são
ameaçadoras
e
têm
consequências
maléficas
para
a
população
em
geral,
pode-se
imaginar
o
que
representam
quando
presentes
em
quem,
de
uma
forma
ou
de
outra,
tem
o
corpo
como
objeto
de
trabalho.
É
o
caso
de
modelos,
atores
e
atletas.
Um
estudo
realizado
por
Perini,
Vieira,
Vigário,
Oliveira,
Ornellas
e
Oliveira
(2009),
da
Universidade
Federal
do
Rio
de
Janeiro,
teve
como
objetivo
identificar
a
presença
de
transtorno
do
comportamento
alimentar
(TCA)
ou
síndromes
precursoras
e
o
grau
de
distorção
da
imagem
corporal
em
atletas
de
elite
do
nado
sincronizado,
avaliando
27
atletas
da
seleção
brasileira
na
época
em
comparação
com
não-atletas. Esta
modalidade
é
considerada
de
risco
para
desenvolvimento
de
TCA
por
valorizar
leveza
e
beleza
de
movimentos,
aspectos
associados
a
baixa
massa
corporal.
Embora
ambos
os
grupos
tenham
apresentado
parâmetros
antropométricos
compatíveis
com
padrões
saudáveis
para
idade
e
sexo,
os
resultados
evidenciaram
a
presença
de
insatisfação
com
a
autoimagem
corporal
e
a
adoção
de
práticas
não
recomendáveis
de
controle
da
massa
corporal,
sobretudo
entre
atletas
da
categoria
júnior
e
adolescentes
não-atletas. Os
resultados
retratam
uma
tendência
mundial
de
preocupação
com
a
aparência
entre
adolescentes,
capaz
de
levá-las
à
adoção
de
condutas
não-saudáveis.
Determinar
a
presença
de
comportamentos
bulímicos
e
sua
intensidade
entre
atletas
adolescentes
do
sexo
feminino
corredoras
de
fundo
foi
o
objetivo
do
estudo
de
Bosi
e
Oliveira
(2004),
da
Universidade
Federal
do
Rio
de
Janeiro.
De
um
total
de
40
atletas
adolescentes,
registradas
na
Federação
de
Atletismo
do
Rio
de
Janeiro,
foram
avaliadas
17
meninas
corredoras
de
fundo.
O
problema
foi
detectado,
mas
os
resultados
obtidos
indicam
a
necessidade
de
estudos
mais
abrangentes
junto
ao
segmento
focalizado,
de
modo
a
subsidiar
medidas
preventivas.
Ressalte-se,
ainda,
a
necessidade
de
alertar
e
informar
familiares
e
profissionais
envolvidos
no
trabalho
junto
a
essas
adolescentes
sobre
o
perigo
potencial
dos
comportamentos
identificados.
Vieira,
Oliveira,
Vieira,
Vissoci,
Hoshino
e
Fernandes
(2006)
investigaram
a
ocorrência
de
distúrbios
de
atitudes
alimentares
e
sua
relação
com
a
distorção
da
autoimagem
corporal
em
101
atletas
de
judô
do
estado
do
Paraná.
A
pesquisa
concluiu
que
judocas
de
ambos
os
sexos,
com
pequenas
diferenças,
apresentam
grande
probabilidade
de
desenvolver
distúrbios
de
atitudes
alimentares
e
distorção
de
imagem
corporal.
À
exigência
de
ter
um
corpo
e
um
peso
ideais
soma-se
a
pressão
por
resultados,
na
conquista
de
vitórias
e
medalhas,
o
que
permite
ao
atleta
negociar
patrocínios
e
apoios
de
acordo
com
sua
performance.
Esta
necessidade
de
bom
desempenho,
entre
outros
fatores
a
serem
pesquisados,
pode
levá-los,
em
especial
nas
modalidades
nas
quais
o
peso
é
fundamental,
a
desenvolver
transtornos
alimentares.
Portanto,
é
imprescindível
que
os
familiares
e
a
comissão
técnica
que
trabalha
diariamente
com
os
jovens
estejam
atentos
aos
possíveis
sintomas,
para,
caso
seja
observado
algum
característico,
buscar
o
tratamento
multidisciplinar
necessário.