Uma
amiga psicóloga desabafa comigo sobre seu sogro que, mesmo com diagnóstico de
câncer no pulmão, não larga o cigarro. Mais do que não entender, ela não aceita
que alguém doente não renuncie ao que lhe faz sofrer. Não conheço a pessoa,
portanto não posso opinar sobre suas motivações, ou falta delas. Mas o caso me
faz pensar em todos que, mesmo com as informações disponíveis sobre os
malefícios do fumo, não conseguem largá-lo. Consciente ou inconscientemente,
mecanismos são criados para não se pensar no inevitável: o risco de doenças
decorrentes do hábito de fumar.
O
cigarro, hoje malvisto e banido de muitos ambientes, já foi símbolo de charme e
rebeldia: sua fumaça envolvia os ícones do cinema, dentro e fora das telas,
dando-lhes uma aura de glamour e sedução. Aos poucos, de atitude encantadora,
passou a ser considerada nociva para quem fumava e para os chamados fumantes
passivos, pessoas que inalassem a fumaça por tabela. Os fumantes tornaram-se
quase párias, criaram-se áreas reservadas para eles em restaurantes, obrigaram
a indústria a estampar avisos nos maços, o consumo diminuiu. Campanhas de
conscientização foram criadas, mas ainda há quem lute contra o vício.
cio e quem tente no vdiminuiu, mas staurantes,
obrigaram a indessoas que inalassem a fumaça por tabela. Por
que é difícil parar de fumar? Porque o tabaco cria dependência física. Um
cigarro contém mais de 4 mil substâncias, sendo a nicotina a mais conhecida.
Ela ativa o sistema de recompensa do cérebro, dando sensação de bem-estar, de
alerta e de aumento da resistência ao estresse, ou seja, o cigarro serve como
válvula de escape em momentos de tensão. A pessoa condiciona-se a buscar o que
considera positivo e se estabelece o reforço: fuma-se para evitar uma sensação
desagradável. Solução ilusória, que cria outro problema.
Como
parar de fumar? O primeiro passo é a conscientização, é importante entender por
que quer ou deve deixar o hábito, e fazer uma lista dos motivos. Parar de uma
vez, sem negociações do tipo mais uma tragadinha, a partir de segunda-feira não
fumo mais etc. Fraquejou? Teve uma recaída? Não desista. Lançar mão de métodos
de relaxamento, como meditação e ioga, fazer exercícios, buscar apoio nas
pessoas próximas, evitar coisas que estimulam o vício, como café e álcool, são
algumas medidas oportunas.
Mas se
a força de vontade não bastar, é recomendável procurar ajuda especializada. Fases
de crise profissional, financeira ou afetiva, períodos de tédio ou desânimo,
dependência de outras drogas, como o álcool, além de alto consumo de tabaco por
longo período de vida dificultam o processo de abandonar o cigarro. Quadros de
estresse, depressão e ansiedade, entre outros transtornos, também devem ser
levados em consideração.
A educação
sobre o tabagismo é a melhor forma de prevenção, e deve ser oferecida tanto em
casa quanto na escola. Crianças aprendem rápido e repassam as informações que
absorvem com naturalidade. Estudos indicam que, quanto mais cedo se começa a
fumar, mais difícil é abandonar o vício. Adultos devem, além de dar o exemplo,
orientar crianças e jovens a resistir à tentação ou à pressão do grupo para
experimentar o primeiro cigarro.