A primeira relação
significativa do bebê é com um dos pais, ou ambos, uma figura que
representa cuidado e atendimento das necessidades básicas, como
alimentação e proteção de quaisquer agentes externos. Com o
passar do tempo e o desenvolvimento natural da criança, esta começa
o aprendizado que lhe permite adquirir autonomia e, gradativamente, a
capacidade de cuidar de si mesma. É o período de crescimento, que
segue etapas naturais de individuação e independência em relação
aos adultos.
Os filhos crescem e
um dia se casam ou viajam, vão estudar fora ou simplesmente querem o
próprio cantinho. E o que isto pode significar para o pai, para a
mãe ou ambos? O segundo corte do cordão umbilical pode se
transformar na síndrome do ninho vazio, que, apesar da denominação,
não caracteriza um transtorno. Trata-se de uma crise passageira, mas
que pode causar adoecimento, se se prolongar e não for tratada. Se a
família se estruturou para a transição, ela será mais tranquila,
mas ainda assim sofrida.
A ocorrência da
síndrome do ninho vazio depende também das características de
personalidade dos envolvidos, como, por exemplo, uma tendência a
dramatizar os fatos da vida, de maneira geral. No caso da mãe, se
ela abdicou de carreira ou trabalho para se dedicar aos filhos, a
percepção de que eles já não dependem dela pode ser motivo de
profunda tristeza e sensação de menos-valia e provocar
ressentimento em relação ao que ela percebe como ingratidão dos
rebentos. A menopausa também pode contribuir como agravante.
O relacionamento dos
pais deve ser levado em consideração. A convivência, a
cumplicidade, o diálogo, estabelecidos ao longo do tempo, farão
diferença nesta situação. Importa se a saída do filho foi
dolorosa, motivada por brigas, ou feita pacificamente. Os filhos
também têm uma parcela de responsabilidade na sensação de
abandono vivida pelos pais, ao se afastarem e não cumprirem as
promessas de manter contato e fazer visitas periódicas.
Vendo a mudança
como oportunidade, é possível buscar novos objetivos na vida: olhar
para dentro de si, para não depender do reconhecimento de um outro.
Há vários projetos possíveis, como voltar a estudar, fazer cursos,
trabalho remunerado ou voluntário, dedicar-se ao cônjuge e a
ampliar a rede social. Caso contrário, a tristeza normal decorrente
de uma quebra na rotina, e que, segundo os especialistas, tem hora
para acabar, pode se tornar depressão (http://psicologiaevidasaudavel.blogspot.com/2011/06/normal-0-21-false-false-false_17.html )..
Na teoria, tudo se
encaixa com facilidade, pela disseminação de soluções milagrosas
e achismos. A vida é mais complexa que os manuais de autoajuda
supõem, e situações para as quais as pessoas não se prepararam
geram sentimentos e emoções com os quais é preciso aprender a
lidar. A síndrome também desenvolve-se em decorrência da morte de
um filho, quando o luto é real e a dor da perda, concreta. Nestes
casos, a abordagem é diferente, podendo haver necessidade de
acompanhamento terapêutico e medicação.