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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Síndrome do ninho vazio

A primeira relação significativa do bebê é com um dos pais, ou ambos, uma figura que representa cuidado e atendimento das necessidades básicas, como alimentação e proteção de quaisquer agentes externos. Com o passar do tempo e o desenvolvimento natural da criança, esta começa o aprendizado que lhe permite adquirir autonomia e, gradativamente, a capacidade de cuidar de si mesma. É o período de crescimento, que segue etapas naturais de individuação e independência em relação aos adultos.
Os filhos crescem e um dia se casam ou viajam, vão estudar fora ou simplesmente querem o próprio cantinho. E o que isto pode significar para o pai, para a mãe ou ambos? O segundo corte do cordão umbilical pode se transformar na síndrome do ninho vazio, que, apesar da denominação, não caracteriza um transtorno. Trata-se de uma crise passageira, mas que pode causar adoecimento, se se prolongar e não for tratada. Se a família se estruturou para a transição, ela será mais tranquila, mas ainda assim sofrida.
A ocorrência da síndrome do ninho vazio depende também das características de personalidade dos envolvidos, como, por exemplo, uma tendência a dramatizar os fatos da vida, de maneira geral. No caso da mãe, se ela abdicou de carreira ou trabalho para se dedicar aos filhos, a percepção de que eles já não dependem dela pode ser motivo de profunda tristeza e sensação de menos-valia e provocar ressentimento em relação ao que ela percebe como ingratidão dos rebentos. A menopausa também pode contribuir como agravante.
O relacionamento dos pais deve ser levado em consideração. A convivência, a cumplicidade, o diálogo, estabelecidos ao longo do tempo, farão diferença nesta situação. Importa se a saída do filho foi dolorosa, motivada por brigas, ou feita pacificamente. Os filhos também têm uma parcela de responsabilidade na sensação de abandono vivida pelos pais, ao se afastarem e não cumprirem as promessas de manter contato e fazer visitas periódicas.
Vendo a mudança como oportunidade, é possível buscar novos objetivos na vida: olhar para dentro de si, para não depender do reconhecimento de um outro. Há vários projetos possíveis, como voltar a estudar, fazer cursos, trabalho remunerado ou voluntário, dedicar-se ao cônjuge e a ampliar a rede social. Caso contrário, a tristeza normal decorrente de uma quebra na rotina, e que, segundo os especialistas, tem hora para acabar, pode se tornar depressão (http://psicologiaevidasaudavel.blogspot.com/2011/06/normal-0-21-false-false-false_17.html )..
Na teoria, tudo se encaixa com facilidade, pela disseminação de soluções milagrosas e achismos. A vida é mais complexa que os manuais de autoajuda supõem, e situações para as quais as pessoas não se prepararam geram sentimentos e emoções com os quais é preciso aprender a lidar. A síndrome também desenvolve-se em decorrência da morte de um filho, quando o luto é real e a dor da perda, concreta. Nestes casos, a abordagem é diferente, podendo haver necessidade de acompanhamento terapêutico e medicação.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Síndrome da fome oculta

Silenciosa e pouco conhecida, a síndrome da fome oculta é um problema nutricional devido a diminuição dos estoques de vitaminas e minerais, que causa carência de um ou mais micronutrientes no organismo. Está relacionada à má nutrição, e seus sinais e sintomas só se evidenciam quando o estágio é grave. Acomete indivíduos que não têm alimentação variada em relação aos grupos alimentares. Isto significa que se pode consumir a quantidade necessária de calorias diárias, mas, se não houver variedade, não haverá saciedade.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 1 em 4 pessoas sofre desta síndrome, que não faz distinção de classe social, idade ou sexo. As crianças que engordam, recusando frutas, legumes e verduras e abusando de guloseimas, são candidatas a desenvolvê-la, assim como aqueles que se submetem a dietas restritivas e sofrem com o efeito sanfona. Os casos mais graves são dos que desenvolvem anorexia nervosa, de um lado, e dos comedores compulsivos, de outro, porque a fome oculta está nos corpos esqueléticos e nos obesos: adoece-se por falta ou por excesso.
As consequências da alimentação inadequada incluem cãibra, cansaço, fraqueza, vulnerabilidade a infecções, pele opaca, flacidez, rugas, queda de cabelo e obesidade. Emocionalmente, os sintomas são irritação e oscilação de humor. Os problemas físicos e psicológicos piorarão quanto mais se demorar a procurar tratamento. O diagnóstico é obtido por exames de sangue e avaliação médica.
A prevenção é feita através de alimentação balanceada, rica em frutas, legumes e verduras, além de carboidratos e proteínas. É recomendável evitar, ou ao menos diminuir significativamente, o consumo de alimentos industrializados, como embutidos ou enlatados, e o exagero de sal, gordura e açúcar.
Não basta comer para se estar nutrido ou alimentado, gordura não é saúde em excesso e a dieta de sopa de repolho da prima da vizinha não vai resolver um problema de sobrepeso ou um transtorno de imagem. Cuidar de si mesmo é responsabilidade básica, e passa pela compreensão de que a beleza depende também de uma alimentação saudável e de qualidade.