Mente e Cérebro
A edição de julho de 2011 da revista Mente e Cérebro Neurociência traz matéria sobre “Dieta e personalidade: você tem fome de quê?”. Já na apresentação, o texto diz que “traços pessoais ajudam, e às vezes atrapalham, na hora de eliminar alguns quilos ... certo grau de culpa e tendência à flexibilidade, por exemplo, facilitam a vida de quem se propõe emagrecer; já o excesso de otimismo e a sensação de ser constantemente rejeitado e injustiçado costumam prejudicar”.
Os estudos que relacionam personalidade e perda de peso são recentes, mas fundamentais, pois podem provar que não bastam dieta, exercícios e força de vontade sem terapia. O que as pesquisas estão descobrindo é observado nos consultórios e instituições que atendem pacientes com problemas de peso: pessoas que negam a gravidade do problema, subestimam a possibilidade de desenvolver doenças e sabotam a dieta por acreditar que, no final, tudo dará certo.
Confiança em excesso é prejudicial, quando o indivíduo tem expectativas de perder muito peso em curtíssimo prazo, geralmente estimulado por um evento social ao qual quer comparecer, e decide começar, por conta própria, uma dieta restritiva acompanhada de um plano de exercícios puxado. Quando o esforço não é recompensado, vem a sensação de fracasso e a desistência. Neste caso, é preciso reformular o projeto em bases mais realistas, com acompanhamento profissional.
Outra armadilha fatal para as pessoas com característica de personalidade conciliadora: não recusar o bolo de chocolate ou a macarronada para não ferir os sentimentos de mamãe, que teve tanto trabalho e cozinhou com todo amor. Em família, comida e afeto misturam-se, criam hábitos e contribuem para a obesidade desde a infância. Quem de nós não lembra de um cheiro, um sabor, uma textura, do doce de leite caseiro, do brigadeiro comido quente da panela, de raspar a massa crua do bolo na colher de pau?
Comida dá prazer, mas se torna um problema quando é usada para lidar com emoções que trazem sofrimento, para compensar a sensação tanto de impotência quanto de submissão frente a eventos que o indivíduo acredita que não consegue enfrentar. Comida não substitui relações, não aplaca angústia, não é remédio para ansiedade ou depressão. Comida não é um meio para se chegar ao bem-estar emocional, que pode ser obtido através da terapia, do autoconhecimento, da aceitação de si mesmo.
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