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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Teoria e Prática da Clínica Transdisciplinar na Psicoterapia Corporal

Curso de Formação ministrado pelas psicólogas Marisa Speranza e Mary Scabora

Mais informações em  http://www.psicologiaesaude.com.br/

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Histórias de família 
 
Ontem, uma reportagem chamou minha atenção. Nos Estados Unidos, um menino de 7 anos pegou as chaves do carro da mãe, enquanto esta dormia, e dirigiu por mais de 30 quilômetros, até ser parado pela polícia. Informa-se que, ao ser detido, ele chorava muito, e o motivo da fuga foi o desejo de ver o pai. Só nos resta imaginar o que provocou esta situação, é mais uma história de família, e, ao contrário do que canta Chico Buarque (Notícia de jornal, de Luís Reis e Haroldo Barbosa), a dor da gente sai no jornal.
Indico dois filmes, disponíveis em DVD, cuja temática trata de famílias disfuncionais:

Léolo (Leolo), de Jean Claude Lauzon, Canadá, 1992.

Correndo com tesouras (Running with scissors), de Ryan Murphy, EUA, 2006. Baseado no livro autobiográfico de Augusten Burroughs, publicado pela Ediouro.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Criança não tem bula

Por mais que se escrevam livros ou se testem técnicas, em muitos momentos, os pais ficam paralisados ou arrancam os cabelos com as travessuras de seus pimpolhos. Criança não tem bula, faz perguntas que desafiam a lógica porque estão no âmbito do lúdico, querem porque querem algo movidas pela satisfação imediata (um estudo constatou que crianças pequenas preferiam um biscoito pequeno imediatamente a um biscoito maior ganho no dia seguinte; crianças maiores já percebiam a vantagem de esperar) e testam limites o tempo todo.
A educação de uma criança engloba o desenvolvimento de habilidades sociais e de resolução de problemas, construção da personalidade moral e ética, formação do caráter. O entendimento das regras de conduta vem da observação e vivência com os adultos, por isto as mensagens precisam ser claras. As crianças percebem quando o que se fala não corresponde ao que se faz (faça o que digo, não faça o que faço), ou quando as figuras de autoridade não têm certeza dos próprios conceitos de certo e errado.
Não se pode dar o que não se tem. Os pais relatam problemas de relacionamento com os filhos que podem ser explicados por suas crenças (padrões de raciocínio rígidos, globais e supergeneralizados que atuam sobre pensamentos e ações), adquiridas durante seu desenvolvimento. Ou seja, os pais tendem a repetir o que aprenderam em sua própria família, e que acreditam serem o certo, por supostamente ter funcionado com eles.
A inconsistência dos pais gera problemas de comportamento do filho, que fica confuso com regras que mudam constantemente, acordos que não são cumpridos, punições que não correspondem aos erros cometidos pela criança, para não mencionar instabilidade emocional de um ou ambos os pais. Postura autoritária ou rigidez, ou, no outro extremo, permissividade ou negligência podem provocar na criança frustração, agressividade, comportamento violento e até apatia.
Nas relações dentro da família, regras básicas precisam ser seguidas, como respeito mútuo, diálogo, limites definidos, muita conversa e explicação. Como diz um personagem do Castelo Rá-Tim-Bum, porque sim não é resposta, não se deve subestimar a criança, basta respeitar a faixa etária e conversar de forma que ela compreenda, usando exemplos, histórias, com carinho e paciência. Desvalorizar a criança afeta sua autoestima e pode causar problemas sérios no futuro.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Famílias disfuncionais

A família disfuncional é aquela cujos membros não sabem enfrentar e resolver seus problemas, por terem dificuldade de lidar com sentimentos e necessidades. Nela, os papéis são rígidos e inflexíveis, as regras, indiscutíveis, e a estrutura segue um modelo tradicional, com papéis predeterminados e a presença do bode expiatório.
Segundo John Bradshaw, há três tipos de família disfuncional: a cultual, a caótica e a corrupta, sendo que cada uma delas se divide em vários subtipos, de acordo com fatores culturais, econômicos, étnicos, religiosos e idiossincrásicos, e graus variados de disfunção. Ressalte-se que as divisões e os tipos não são estanques, pois muitas famílias disfuncionais possuem elementos de todos os tipos.
A família cultual é baseada no poder dos pais sobre os filhos, na imposição da vontade dos pais, na obediência cega, no controle constante, em limites rígidos dentro e fora da família, em deveres, obrigações e auto-sacrifício, em perfeccionismo e culpa.
A família caótica carece de estrutura, por falta de regras ou por possuir regras inconsistentes (por exemplo, pais que pregam uma coisa e fazem outra, confundindo os filhos).
A família corrupta não tem limites morais e nela se verifica abuso físico, psicológico, sexual, negligência de todo tipo, modelo de comportamento impróprio por parte de um dos pais ou de ambos (por exemplo, pai que se gaba de burlar leis, sonegar impostos, maltratar empregados, pessoas de diferente estrato social, de outras etnias ou credos religiosos; mãe excessivamente preocupada com status, bens materiais, aparência física, em detrimento de valores éticos). Nela observa-se um estranho senso de lealdade à família, que permite desrespeitar os que dela não fazem parte, os outros, os estranhos, mas onde há um código de proteção entre os membros.  Este desrespeito inclui trapaça, mentira, agressão física e, em casos graves de psicopatia, morte.
É fácil identificar os tipos de família disfuncional, eles são encontrados no consultório ou na casa vizinha. Às vezes, saltam das páginas de jornal que relatam crimes bárbaros de pais que matam filhos, netos que agridem avós e agressões inaceitáveis contra indivíduos de fora da família. Não que o distúrbio justifique o crime, mas, a cada manchete nova, pergunto-me se algumas destas tragédias não poderiam ter sido evitadas se aquelas pessoas tivessem recebido ajuda psicológica.
Vale lembrar que o desenvolvimento humano não tem fórmulas exatas. Filhos de famílias disfuncionais podem apresentar condutas adaptativas, desenvolver-se de forma ajustada e estabelecer relacionamentos saudáveis. Assim como filhos de famílias sem grandes conflitos podem desenvolver transtornos de conduta. Vários fatores concorrem para a origem dos transtornos psicológicos, como características individuais, incluindo as genéticas, e influências ambientais.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A família funcional

Terminei o último texto com um comentário sobre famílias disfuncionais. Comecei o estudo deste tema no meu trabalho de conclusão de curso na pós em TCC, “Transtorno Dismórfico Corporal em adolescentes: implicações familiares”, onde destaco o papel da família, mais precisamente os modos de relações estabelecidos entre seus membros e sua relação com o desenvolvimento do TDC na adolescência. Este enfoque permite analisar casos de transtornos alimentares, transtornos de humor e de conduta etc.
Antes de discorrer sobre família disfuncional, é preciso definir a família funcional. Nela existe harmonia, confiança, cooperação e maturidade na relação entre seus membros. Na família funcional, os papéis são flexíveis e as regras, claras e maleáveis, não há o bode expiatório, o depositário de culpas, ressentimentos e frustrações, aquele que desvia a atenção dos verdadeiros problemas.         
Na infância, os pais são os exemplos dos filhos, as figuras de autoridade que sabem a diferença entre certo e errado, bom e mau, orientam e esclarecem, dando não apenas suporte financeiro (alimentação, abrigo, educação), mas apoio psicológico e emocional. A família é a primeira escola, onde se aprende tolerância, respeito, amor. Numa família em que sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades são expressos de modo assertivo e as questões são resolvidas com diálogo, as punições são justas e pretendem educar, e não machucar ou humilhar, o respeito pelo outro é incentivado, a tensão e os conflitos são menores.
Por mais funcional que seja a família, nada impede que os filhos apresentem problemas de comportamento. Se isto ocorrer, a família funcional lidará com a situação da melhor forma, buscando aconselhamento fora de seu âmbito, se necessário. Mas, quando a família se omite ou apoia a má conduta, assume papel secundário na orientação e formação de seus filhos, reforça os estereótipos e modelos vigentes, vemos crianças e adolescentes desorientados e agressivos, ou deprimidos e arredios, incapazes de lidar com a frustração e evitar uso de drogas, prática de sexo de risco e outras armadilhas da vida.
Deve-se lembrar também que os pais que não cuidam, protegem e orientam os filhos, talvez eles próprios tenham sido crianças negligenciadas, desrespeitadas e agredidas em casa, e estejam repetindo o modelo que vivenciaram. Filhos de famílias disfuncionais têm grande probabilidade de constituir famílias do mesmo tipo. Afinal, só se pode ensinar o que se aprendeu.