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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Estresse engorda

Estudo feito por cientistas israelenses descobriu que o estresse provoca a produção, pelo cérebro, de uma proteína chamada Ucn3. Esta proteína seria responsável pelo aumento do apetite e interferiria na sensação de satisfação e na metabolização da insulina, estando relacionada à obesidade e ao diabetes tipo 2. O trabalho foi publicado na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, e é mais uma tentativa de explicar a obesidade por alteração das funções orgânicas.
A ciência tem se dedicado a encontrar uma causa fisiológica para a obesidade, enquanto a indústria farmacêutica pesquisa substâncias que possam ser usadas para combatê-la. Novos medicamentos surgem com rapidez, substituindo a sempre penúltima solução. Mas só os remédios não conseguem resolver a questão, e o aumento da incidência da obesidade na população é a prova evidente disto. Se o estresse pode contribuir para o aumento de peso, a resposta é controlar o estresse e desenvolver hábitos saudáveis.
É inegável a importância de fatores orgânicos e metabólicos no que     diz respeito à etiologia, mas não se devem esquecer os aspectos psicológicos, pessoais e intransferíveis, e os culturais, que influem no comportamento de grupos, de forma sutil ou direta.  As preferências ou interesses do indivíduo definirão o grupo a que ele mais se ajusta, em termos intelectuais e emocionais. E a forma como o grupo escolhido se comporta, além de suas escolhas, reforçarão os hábitos e atitudes do indivíduo. Tudo se interrelaciona, portanto.
A predisposição genética de uma pessoa para engordar fatalmente se manifestará se ela ingerir mais calorias do que queima, for sedentária e sofrer de problemas psicológicos ou estiver passando por um período emocional difícil, quando não consegue controlar seus impulsos e sofre de hiperfagia. As origens fisiológicas e psíquicas do aumento de peso se somam e acaba não importando o que determinou o problema, todos os aspectos devem ser tratados.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Missão emagrecer

Estar gordo ou magro deixou de ser matéria de interesse unicamente da medicina e passou a fazer parte das preocupações de todos. A obesidade ganhou espaço nos meios de comunicação, sendo desvendada e explicada à exaustão, dos programas com base mais científica aos populares. Isto fica mais evidente numa rápida visita às bancas de jornais, com uma quantidade inacreditável de revistas que estampam em suas capas dicas infalíveis e receitinhas naturais. Segundo algumas publicações, emagrece-se dormindo, bebendo chás, pulando refeições, cada semana traz uma solução milagrosa.
A mensagem subliminar chega a ser cruel. Basta seguir as indicações para perder peso, quem tem força de vontade consegue, é só querer. Pode-se imaginar a frustração de quem se submete a estes pseudotratamentos e não perde um grama, por não conseguir manter uma dieta restritiva e sem sentido, ou volta a ganhar peso em pouco tempo, por não ter feito as mudanças necessárias para manter o corpo magro. Tanto o fracasso em perder peso quanto o efeito sanfona aumentam a frustração e levam à produção de mais revistas que publicarão outros métodos vendidos como infalíveis. Esta é uma das faces da indústria da obesidade, ao lado de fórmulas emagrecedoras, aparelhos que miraculosamente diminuem medidas, cintas modeladoras, cremes redutores etc.
A obesidade é resultado de interação entre herança genética, ambiente socioeconômico, cultural e educativo, e ambiente familiar e individual. Isto significa que as causas da obesidade são multifatoriais, não adianta dieta sem mudança de hábitos nem cuidar do corpo sem entender as emoções que acompanham comportamentos e escolhas. É importante perceber a relação entre o que se coloca no prato e o tipo de fome que se sente. É perguntar como na música: Você tem fome de quê? A comida pode ter duas funções: conforto e recompensa.
Comida como conforto ou recompensa é hábito aprendido, e geralmente adquirido na família. Promessa de sobremesa se comer o brócolis, reforçando a ideia de que verdura significa castigo e doce, recompensa, como isto é comum nas refeições de tantas casas. A comida assume outro sentido e com ela se estabelece uma relação que transcende a subsistência, manifestando o que se pensa ou sente. Afinal, diz a cultura popular que de amarga basta a vida, então nada de jiló. Comida quase como vício, que preenche vazio, parece aplacar ansiedade e diminuir depressão. Mas, como outras drogas, exige cada vez mais quantidades para fazer efeito.
O trabalho terapêutico, junto com reeducação alimentar, mudança de hábitos e prática de exercícios, é essencial no tratamento da obesidade e na manutenção dos ganhos. Entender o processo emocional que causa o descontrole alimentar é um processo doloroso, mas necessário.
Boa Páscoa. E cuidado com o exagero.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O corpo moderno

Ao longo das épocas, os corpos tornaram-se telas onde se enfatizavam partes deles, principalmente os femininos, como os traços do rosto, a cútis, os olhos, o colo, depois, cintura, pernas, e, mais recentemente, seios, nádegas. O uso de perucas e cosméticos acompanhou as mudanças, assim como espartilhos, cintas. A partir da década de 1960, os jovens subverteram a ordem da moda. Cabelos lisos, crespos, ao natural, livres da ditadura de tesouras, escovas, secadores. Os sutiãs foram queimados, os seios se soltaram sem censura de tamanho, forma, estética. As roupas vestiam de acordo com a necessidade e o conforto.
Ao movimento hippie seguiram-se outros, os punks, os góticos, os rappers, com seus códigos próprios de moda, dependendo da conduta do grupo em relação à exposição ou disfarce do corpo. Porque o corpo está além de suas funções biológicas, tornou-se uma representação da cultura. Tatuagens, piercings, body modification, pequenas marcas de identidade ou metamorfoses radicais, o corpo converteu-se em território ideológico, que toca música, canta sua história, faz arte na rua, grafita os muros, grita sua própria forma expandindo limites.
Em nossos tempos, o corpo encontra-se em diferentes prisões: a balança, a fita métrica e, talvez a mais dolorosa, o olhar do outro. Prisões democráticas que não discriminam ninguém, impondo suas penas a crianças, mulheres, homens, jovens, velhos. Os crimes passíveis de punição são sobrepeso, estrias, celulites, calvície. O processo de envelhecimento é algo a ser combatido, principalmente no caso das mulheres, para quem rugas e cabelos brancos são testemunhos de derrota para o tempo, este invencível vilão sem rosto.
Como para o ser humano nada é impossível, profissionais, cientistas, empresas lançam-se diariamente à procura de modos de tornar o corpo mais perfeito e atemporal, de acordo com o modelo vigente. Intervenções cirúrgicas prometem o corpo desejado como num passe de mágica, e aqui estão incluídas as cirurgias de redução de estômago. Cosméticos milagrosos limpam, alisam, transformam, com suas fórmulas de nomes impronunciáveis, mas avalizadas pela ciência. Exercícios físicos que moldam e domesticam o todo ou partes do corpo que teimam em crescer, despencar, escapar do controle estético.
O culto ao corpo fez surgir uma indústria bilionária, da qual não escapam as soluções alternativas e ditas naturais.  Conseguir o corpo objeto de desejo implica não ter preconceitos dos tratamentos ou métodos para consegui-lo. Isto inclui os transtornos alimentares, com seus rituais de controle tanto da comida quanto das emoções.
Ao fim de tudo, apenas uma simples conclusão: não se vence o photshop. O corpo ideal vendido na imprensa ainda é uma utopia.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Luto

Não quero escrever sobre a morte das crianças na escola em Realengo, subúrbio do Rio. Não quero escrever sobre o assassino. Quero ficar quieta, apenas sentindo. Tristeza, desesperança, impotência, horror. Nada além disto. Não sinto raiva. O massacre poderia ser evitado? Depois do fato acontecido, restam conjecturas. Nada garante que o matador pudesse ser impedido de cumprir o que ele parecia considerar uma missão, que planejou com método e falta de sentimento. Possivelmente psicótico, misturando sexo e religião, preocupando-se com pureza e virgindade (a própria e dos outros), falando em Jesus e islamismo, sofrendo de delírios, quais suas motivações? Qualquer explicação morreu com ele. Descrito por pessoas que o conheceram como esquisito (começo de esquizofrenia?)  desde criança, parecia incapaz de fugir ao seu destino. E se ele tivesse sido diagnosticado e tratado cedo, perguntam alguns? Ainda assim, poderia abandonar o tratamento, parar de tomar os remédios, recusar ajuda. Esta é a realidade vivida por psicólogos, psiquiatras e médicos: assistir pessoas potencialmente perigosas, para si e para os outros, negar que precisem de tratamento.
Minha solidariedade aos parentes e amigos das crianças, é uma dor insuportável. Minha solidariedade à família do assassino, porque terá que conviver com a culpa e a vergonha. Oro para que as crianças hospitalizadas se recuperem, e que as sobreviventes tenham ajuda para elaborar o sofrimento.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Emagrecer com saúde
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde não é mais apenas ausência de doença, é bem-estar físico, emocional e social. A pessoa saudável é aquela que se sente bem em vários aspectos, é capaz de responder aos desafios com eficiência, tem uma atitude positiva e assertiva, confiança que não pareça presunção, autoestima que não resvale para arrogância, entre outras características. Estas são qualidades que se cultivam ao longo da vida, mesmo que alguns tenham um caminho mais difícil para alcançá-las.
A persistência vale para qualquer objetivo, seja passar em uma prova ou emagrecer. Se a pessoa tiver predisposição genética, metabolismo lento, hábitos alimentares pouco ou nada saudáveis e for sedentária, ganhará peso. Problemas emocionais, como estresse, depressão e ansiedade, também provocam aumento de peso. Há estudos que mostram que indivíduos estressados secretam hormônios que influenciam no metabolismo. Mente sã em corpo são. Como em qualquer tratamento, deve-se antes pesquisar as causas da obesidade e então tratá-las.
Descobertas as razões do sobrepeso, traça-se um planejamento que inclui reeducação alimentar e exercícios, acompanhado de terapia, se necessário. O primeiro passo é começar o processo, sem desculpas do tipo iniciar a dieta segunda-feira. Quanto antes, melhor, para não se correr o risco de continuar engordando e ver o objetivo ficar mais longe. Recomenda-se que se busque apoio de parentes ou amigos, principalmente se estes também estiverem com excesso de peso. Fazer ginástica ou caminhar é mais prazeroso em companhia de outras pessoas.
No supermercado, aconselha-se ler os rótulos, prestando atenção à quantidade de sódio (provoca retenção de líquido), gorduras trans (encontrados em biscoitos), gorduras saturadas (entopem as artérias), açúcares simples (encontrados em refrigerantes e geléias, não dão sensação de saciedade). A farinha branca, presente nas massas e pães em geral, deve ser substituída por farinha integral. Todas as receitas são adaptáveis, como a pizza comum que pode ser trocada por pizza de farinha integral com vegetais. Há receitas de sobremesas de baixas calorias com gelatina e frutas.
Estar gordo pode ser uma condição temporária, se a pessoa quiser emagrecer em busca de autossatisfação e não por vergonha ou pressão. Se for movido por um desejo legítimo, o indivíduo não desistirá mesmo sucumbindo às tentações uma vez ou outra.