Adolescência e percepção de si mesmo
Na infância, os pais são os modelos dos filhos, as figuras de autoridade que sabem a diferença entre certo e errado, bom e mau, orientam e esclarecem, dando não apenas suporte financeiro (alimentação, abrigo, educação), mas apoio psicológico e emocional. Mas, com as mudanças sofridas nas últimas décadas, a família assumiu papel secundário na orientação e formação dos filhos, reforçando estereótipos e modelos.
Os pais culpam a mídia por influenciar seus filhos, mas eles mesmos parecem desistir do papel que lhes compete, ou ficam seduzidos por viver fantasias através deles. Que exemplo dá a mãe adepta de dietas, que passa horas na academia, conhece todas as novidades cosméticas antienvelhecimento e incentiva a filha a emagrecer até com ajuda de fórmulas, se for preciso? E que mensagem passa a mãe-amiga, figura cada vez mais comum, que frequenta os mesmos ambientes que a filha, denunciando uma rivalidade inconsciente? Ou a mãe que sai com os amigos dos filhos porque não quer ser vista como ameaça aos maridos das amigas da mesma faixa etária?
Cirurgiões plásticos e dermatologistas demonstram preocupação pelo fato de os jovens se submeterem a procedimentos estéticos cada vez mais cedo com o apoio da família. Rinoplastias e implantes de silicone tornaram-se presentes de aniversário, notadamente para comemoração dos 15 anos, data símbolo para a entrada do jovem na vida adulta. Seria a cirurgia plástica o rito de passagem desta época?
O perigo é ela representar o ato que milagrosamente proporcionará felicidade, bem-estar e aceitação, a partir do momento em que o jovem corresponda às expectativas da sociedade em termos de padrões estéticos. Trata-se de engano porque realização e plenitude, além de outras boas sensações, não são obtidas por meio destes artifícios. Uma modificação corporal para um jovem ainda em formação fisica e emocional não garante a aceitação de si mesmo e, consequentemente, não refletirá em seus relacionamentos.
A adolescência é a fase da vida em que a autoestima se desenvolve, quando o indivíduo inicia seus primeiros passos em direção à autonomia, adquire autoconfiança e habilidade para fazer escolhas, enfrentar dificuldades e superar obstáculos. A percepção positiva de si mesmo e a segurança alcançada neste período de vida vão permitir que os jovens conquistem equilíbrio emocional e independência, que os protegerão da pressão social e cultural.