Resposta a uma leitora
Em 5 de agosto, recebi mensagem de alguém, que imagino seja uma jovem, a respeito do texto relativo a famílias disfuncionais. A moça, que não se identifica, faz um desabafo sobre sua situação familiar. Mesmo não sabendo a quem estou me dirigindo, quero dizer a ela algumas palavras.
Prezada Anônima
Não tenho a pretensão de achar que uma carta diminua seu sofrimento, mas posso tentar ajudá-la a refletir sobre a sua situação. Você afirma ter uma família disfuncional, pelo fato de seus pais serem críticos, controladores, usarem o medo e a chantagem no relacionamento com você e sua irmã. Você conta, sem entrar em detalhes, que muitas vezes teve de se sacrificar, e termina dizendo que nunca viu uma demonstração de afeto por parte de sua mãe e que existe agressão física.
Entendo sua mágoa, seu ressentimento e sua revolta, pois são decorrentes de uma grande falta: de compreensão, de diálogo e mesmo de aceitação por parte de seus pais. Desconheço a história de seus pais, mas não me espantaria em descobrir que eles acreditam estar fazendo o certo. Como já escrevi neste blog, pais que não protegem, orientam e dão afeto a seus filhos podem ter sido crianças negligenciadas, cujas necessidades não foram supridas e não receberam segurança e carinho dos próprios pais.
O papel dos pais é educar e orientar, conversar e explicar, mas ninguém pode dar o que não tem ou o que não aprendeu. Seu pai e sua mãe têm uma história muito anterior ao casamento, ao nascimento dos filhos, que talvez escondam ou da qual narrem pouca coisa. Eles fizeram as próprias escolhas, mas não significa que estivessem emocionalmente preparados para elas, ou pudessem assumir as responsabilidades exigidas.
Profissionalmente, digo que sua família precisa sentar e conversar, com honestidade e de coração aberto, sobre os conflitos que vocês estão vivendo, para interromper este ciclo de brigas, cobranças e agressões. Vocês estão perpetuando ações e reações que levam às mesmas armadilhas, sem solução. Se a situação tiver chegado ao ponto de vocês não conseguirem dialogar, sugiro que procurem um mediador, como um terapeuta de família.
Atenciosamente,
Cristina
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