Responsabilidade pessoal
Uma propaganda de creme facial com a atriz Julia Roberts foi banida do Reino Unido porque a foto publicitária foi retocada a ponto de a atriz quarentona não exibir nem um vestígio de ruga. A famosa empresa de cosméticos quer vender creme ou ilusão? Digamos que a modelo use o creme, mas ele não é suficiente para impedir o envelhecimento, então a propaganda passa pelo photoshop. Qual a vantagem de pagar uma fortuna por este creme? Qual a responsabilidade ética desta empresa perante as consumidoras?
Na reportagem, foi entrevistado o fotógrafo Eduardo Lobo, que afirmou que não há mais foto sem retoque, e mostrou como isto é feito facilmente no computador. São exibidas fotografias tão retocadas de uma atriz e de uma cantora que elas parecem aleijadas: a atriz tem um braço mais fino que o outro; a cantora, nua e deitada meio de bruços, exibe uma curva tão acentuada que é obviamente falsa. O que as modelos reais acham de suas representações? O que pensa Julia Roberts ao ver seu rosto de boneca num outdoor?
Figuras públicas têm responsabilidades tanto quanto qualquer um de nós, mas, por serem mais observadas, lançarem moda e serem vistas como exemplo, deveriam ter uma postura mais crítica do uso de sua imagem, não compactuando com falsificações e manipulações. É preciso ter cuidado e não contribuir para reforçar estereótipos.
Responsabilidade profissional
A beleza deixou de ser múltipla e variada para se concentrar em um padrão pouco variado de cabelos, nariz, barriga, seios, coxas, vendido pela poderosa indústria da beleza como alcançável pela mera vontade do indivíduo. Ou seja, é possível metamorfosear-se em outra pessoa, só não consegue quem não se esforça, não se dedica, não importa o quanto seu biotipo impossibilite o projeto. E o que dizer de mudanças de traços étnicos?
Notícia que, a princípio, parece invenção, mas acaba comprovada pelas imagens: jovens asiáticas estão se submetendo a cirurgia plástica para modificar o formato dos olhos para o padrão ocidental. Já tinha lido sobre isto, mas confesso que pensei que fosse ficção. Até que vi a filmagem.
Tenho algumas perguntas: o que motiva estas jovens? Por que os olhos amendoados as incomodam? E, finalmente, como fica a questão da ética médica nestes casos que não são cirurgias corretivas? Se são consideradas cirurgias estéticas, o que, fisicamente, está errado?
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