Adolescência desperdiçada
Várias reportagens policiais das últimas semanas têm adolescentes como vítimas ou culpados de crimes. Todas têm um ponto em comum: a morte, literal e metafórica, de uma etapa da vida. A saída da infância, esta cada vez mais curta, para o mundo adulto, sem o preparo emocional necessário e o ônus de responsabilidades advindas de escolhas prematuras, acabará se tornando um problema de todos. Por que alguns jovens querem tanto ser adultos, mesmo que isto signifique o sacrifício das alegrias de uma fase de crescimento?
Enumero casos extremos, mas que se repetem em sincronicidade assustadora. Separados geograficamente e por poucos dias, uma menina de 14 anos matou outra da mesma idade por estar namorando seu ex-namorado. Outra menina de 14 anos matou a amiga por um desentendimento banal por causa de uma paquera. Uma garota de 13 anos fugiu de casa com um homem de 47 anos, suspeito de ter estuprado as próprias filhas. E há ainda a adolescente de 16 anos que caiu, se jogou ou foi empurrada da sacada do apartamento onde vivia com um jogador de futebol de 21 anos.
Em relação a este último caso, é preciso comentar que os pais da garota consentiram que ela saísse de casa e abandonasse os estudos para viver um relacionamento conturbado com um maior de idade. E, quando entrevistados, disseram que preferiram aceitar a decisão da filha a perdê-la, com se não houvesse outras opções, inclusive legais. Não pretendo discutir os motivos destes pais, porque não os conheço e fazer suposições seria injusto e irresponsável.
Sobre a menina de 13 anos que fugiu com o homem muito mais velho, a família procurou a polícia e a imprensa, o raptor ficou com medo e devolveu a garota. O padrasto, em estado de choque, perguntava-se onde havia errado. A garota, que se diz apaixonada pelo homem, será encaminhada para tratamento psicológico, e assim terá a oportunidade de recuperar um pouco de sua adolescência e traçar outros objetivos para si mesma.
Quanto às assassinas, a questão é mais complicada: elas romperam um contrato social e cometeram um ato radical, o assassinato. A situação piora pelo fato de o crime ter sido cometido por motivo fútil e, depois de presas, as jovens não terem demonstrado qualquer arrependimento, agindo como se tivessem afastado um incômodo. Qual a estrutura familiar destas adolescentes, se é que existe alguma?
Pergunto-me que tipo de sociedade estamos construindo. É hora de repensar os valores que estão sendo passados às crianças e refletir sobre o que elas buscam tão prematuramente fora de casa. Jovens que consomem álcool e drogas nas ruas, que iniciam vida sexual mal entrados na puberdade, que sofrem e praticam violência podem estar manifestando necessidade de atenção e carinho, orientação e limite.
Atenção, carinho, orientação e LIMITES.... Perfeito!
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