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sábado, 30 de outubro de 2010

Rodeio de Gorda

Numa semana marcada por mais um tsunami, terremoto  e erupções vulcânicas na Indonésia, fenômenos que dão a medida exata de nosso lugar neste planeta, um acontecimento no interior de São Paulo chocou quem dele tomou conhecimento.
Refiro-me ao Rodeio de Gorda, a mais nova versão de bullying, previamente organizado via sites de relacionamento na internet, com cobrança de taxa de inscrição (valor: R$20,00, interessante notar que o bullying tornou-se capitalista) e data e local definidos: durante os Jogos Universitários na Unesp, que deveriam servir para aproximar as pessoas. 
E do que se trata o Rodeio de Gorda? É exatamente o que o nome diz: rapazes que montam moças consideradas gordas, como caubóis montam em rodeios. Aqui não há lugar para dúvidas ou sutilezas.
Este "esporte" encaixa-se com perfeição na definição de bullying, qual seja: prática violenta em que uma pessoa (ou grupo de pessoas) se torna alvo de ataques psicológicos ou físicos, de forma constante e recorrente, por parte de um ou vários colegas, com a intenção de excluir, humilhar ou intimidar. Acontece na escola, no trabalho, no clube, no condomínio. Há a versão virtual, o cyberbullying, às vezes anônima, mas sempre devastadora, por seu alcance e rapidez.
Bons tempos quando o trote universitário terminava, no máximo, com uma ressaca no dia seguinte, depois do churrasco de boas-vindas. E a maior humilhação era ir para os sinais de trânsito, pedir contribuição aos motoristas para a carne e a cerveja. Recentemente, foram relatados casos de agressões e até mortes, em consequência de trotes violentos nos campi das universidades do país.
O bullying também pode levar ao suicídio das vítimas, como, por exemplo, nos casos de adolescentes norte-americanos perseguidos por serem considerados homossexuais, ou mesmo por terem se assumido. 
Este é um assunto que exige profunda reflexão da sociedade como um todo. Mas quero fazer um comentário sobre a questão: a intolerância esconde o medo do diferente. Talvez devamos parar para refletir sobre esta cultura do igual que vivemos. Vestir igual, pensar igual, sorrir igual, pesar igual, andar igual, nos reconhecer no igual. Tudo igual.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Imagem Corporal

Há pouco tempo atrás, li reportagem sobre cirurgia plástica. Uma mulher havia se submetido a vários procedimentos, e ainda passaria por muitos outros não porque precisasse deles, não porque houvesse sofrido de doença ou acidente e necessitasse de plástica reparadora, para corrigir sequelas, marcas ou cicatrizes.
Esta mulher passa (porque a história não terminou) pela via-crúcis de intervenções estéticas para ficar idêntica a uma atriz que ela diz admirar.
Ela não deseja melhorar sua aparência. Ela quer se transformar em outra pessoa, ela pretende ficar fisicamente igual a um determinado indivíduo, alguém famoso, o que é um detalhe importante.
Este caso permite uma longa discussão sobre autoimagem, imagem corporal, autoestima, modelos, a partir das motivações desta mulher. A matéria não discute a questão, é apenas um relato de uma atitude excêntrica. Não há reflexão ou comentário sobre o comportamento da mulher.
A pergunta que me fiz foi: Trata-se de um caso grave de Transtorno Dismórfico Corporal (TDC)?
O TDC é um distúrbio ainda pouco compreendido, não se limitando a problemas de autoestima ou pressões sociais. Como qualquer transtorno psicológico, tem como origens a predisposição individual, causada por desequilíbrio químico no cérebro, além de fatores psicológicos, sociais e culturais.
O TDC caracteriza-se, resumidamente, por insatisfação ou preocupação exagerada com a forma do corpo, com uma parte do corpo ou até com uma pequena imperfeição, mesmo a pessoa tendo aparência normal.
Casos como o desta mulher mutante, que busca uma fôrma, além de uma forma pertencente a outra pessoa, fazem pensar em como estamos longe de entender a mente humana.
Outra questão a ser levantada é a postura dos cirurgiões plásticos frente a estas demandas de transformações questionáveis. É impossível não pensar nos médicos envolvidos como cúmplices desta versão moderna de Frankenstein.



sábado, 23 de outubro de 2010

Prazer em conhecê-los


Olá,

Demorei um tempinho pensando em como me apresentar. Afinal, dizem que a primeira impressão é a que fica. Disso concluo que não é recomendável ir a uma entrevista supergripado, com nariz escorrendo, se não quiser ser lembrado como o candidato melequento. Ou marcar encontro com o futuro amor de sua vida exibindo uma robusta espinha.
Situações constrangedoras, certo?
Então como me apresentar sem que as pessoas pensem: Puxa, mais uma psicóloga!, ou, Mais um blog chato sobre saúde!
Primeiro, quero dizer que sou mais uma psicóloga só na inscrição do conselho (CRP). De resto, sou um indivíduo, como cada habitante do planeta, único como uma impressão digital.
E quanto ao tal blog chato, didático ou professoral, Deus me livre, tenho alergia a estas coisas.
Dito isto, a forma mais simples de apresentar a mim mesma e ao meu trabalho é: meu nome é Cristina, sou psicóloga, e o objetivo deste blog é compartilhar informações.
Estou ao alcance do seu mouse. Se você tiver dúvidas sobre obesidade, transtornos alimentares, depressão, ansiedade, escreva para mim. Se for profissional da área de saúde, e quiser dialogar, escreva para mim.