Rodeio de Gorda
Numa semana marcada por mais um tsunami, terremoto e erupções vulcânicas na Indonésia, fenômenos que dão a medida exata de nosso lugar neste planeta, um acontecimento no interior de São Paulo chocou quem dele tomou conhecimento.
Numa semana marcada por mais um tsunami, terremoto e erupções vulcânicas na Indonésia, fenômenos que dão a medida exata de nosso lugar neste planeta, um acontecimento no interior de São Paulo chocou quem dele tomou conhecimento.
Refiro-me ao Rodeio de Gorda, a mais nova versão de bullying, previamente organizado via sites de relacionamento na internet, com cobrança de taxa de inscrição (valor: R$20,00, interessante notar que o bullying tornou-se capitalista) e data e local definidos: durante os Jogos Universitários na Unesp, que deveriam servir para aproximar as pessoas.
E do que se trata o Rodeio de Gorda? É exatamente o que o nome diz: rapazes que montam moças consideradas gordas, como caubóis montam em rodeios. Aqui não há lugar para dúvidas ou sutilezas.
Este "esporte" encaixa-se com perfeição na definição de bullying, qual seja: prática violenta em que uma pessoa (ou grupo de pessoas) se torna alvo de ataques psicológicos ou físicos, de forma constante e recorrente, por parte de um ou vários colegas, com a intenção de excluir, humilhar ou intimidar. Acontece na escola, no trabalho, no clube, no condomínio. Há a versão virtual, o cyberbullying, às vezes anônima, mas sempre devastadora, por seu alcance e rapidez.
Bons tempos quando o trote universitário terminava, no máximo, com uma ressaca no dia seguinte, depois do churrasco de boas-vindas. E a maior humilhação era ir para os sinais de trânsito, pedir contribuição aos motoristas para a carne e a cerveja. Recentemente, foram relatados casos de agressões e até mortes, em consequência de trotes violentos nos campi das universidades do país.
O bullying também pode levar ao suicídio das vítimas, como, por exemplo, nos casos de adolescentes norte-americanos perseguidos por serem considerados homossexuais, ou mesmo por terem se assumido.
Este é um assunto que exige profunda reflexão da sociedade como um todo. Mas quero fazer um comentário sobre a questão: a intolerância esconde o medo do diferente. Talvez devamos parar para refletir sobre esta cultura do igual que vivemos. Vestir igual, pensar igual, sorrir igual, pesar igual, andar igual, nos reconhecer no igual. Tudo igual.